13 junho 2009

Música Portuguesa: Álbum do Século



A fuga do bandido

No rescaldo de Manuel Cruz @ Teatro Sá da Bandeira: o caos das palavras da fuga do bandido: um exemplo do que permite: com uma pequena ponte - nas várias palavras de canções enormes, aqui atiradas umas contra as outras.

O espectáculo do Porto demonstrou qua afinal não é impossivel mostrar uma obra deste calibre: oxalá o homem não se venha a perder por uma excessiva busca de perfeccionismo

Manuel Cruz é um expoente da Arte e não me refiro apenas ao cada vez mais óbvio panorama Nacional.

O seu percurso musical e artístico em geral é absolutamente desafiador do mais académico e formatado dos rumos, porventura a causa principal de uma errância entre a excelência na composição tanto ao nível das letras como das peças musicais, originalidade e, uma interpretação que toca o soberbo através da mais repleta simplicidade e acima de tudo pela portentosa capacidade de surpreender.

A relativa exposição dos Ornatos Violeta e o seu término, com um período de certo modo sabático com os Pluto, permitiram que 2008 revelasse uma autêntica obra-prima: sob a assinatura de Foge Foge Bandido, um duplo álbum com uma primeira face de 40 faixas de quase e muito mais que canções aglutinadas no título “Não fui eu que estraguei” e, uma outra, a segunda, felizmente com mais do mesmo, desta vez enquadradas num outro titulo “O Amor dá-me tesão” - organizadas e a escutar, não necessariamente por esta ordem.

A execução gráfica é monumental: uma simples cópia descarregada torna-a demasiada incompleta!

Penso não ser demais referir que é uma verdadeira obra-prima da música.

O que podem ler a partir de agora é uma colagem caótica de excertos das letras e por vezes dos títulos das canções que povoam o disco: soltas: atiradas umas contra as outras às vezes com palavras de quatro ou cinco frases expurgadas para fazer uma nova a que acrescentei outros sons, que essencialmente apelam à descoberta de uma obra espantosa: sendo um tesouro, merece exposição e não estar sob a marca de um X, de que se desconhece a carta que nos leva até ele.




Farto das mesmas queixas do mesmo caderno; farto da caneta que me leva ao Inferno.
Ela é a melhor das canções que eu não fiz para estar no que existe à sua volta.

Os loucos não têm muros: o limite da soma é o vazio; na rua patética que está sempre a fugir do tempo que passa.
Não sou luz da Serra nem sombra da luz nem sombra da noite; talvez murmúrio de rio dos sete raios de sol que queimaram o sonho: que não é mais do que rescaldo.

Estou feliz por estar contigo no momento em que eu procuro uma flor que queira ver crescer.
Posso cantar-te em verso ou em jeito de lenda?
Pensa em algo de bom: o mar já nos olhos.
As nossas ideias são suspiros da terra, presas na tensão, da nossa atenção ao vazio; são as nossas mãos presas aos anéis da razão e do frio; são as nossas mãos presas nos anéis da paixão e do tédio: luar demolido.

Noções para viver sem ti, do principio da guerra, devorando o esforço ao penetrar no dorso do rio das plantas da terra a chamar por mim.
Não tens que dar o teu sorriso, nem esgotar o teu juízo assim: a lavar as mãos do mundo que não lavou as tuas.

Quem me quer mudar não me quer conhecer.
Eu não tenho nada meu: os cães içados do mar escalam as rochas, os dialectos soltos perderam-se na esplanada dos dias que já não são de ouro.

Foi no teu amor que algo se perdeu.
Não tens que ver, já nem sequer de amar: imaginei um abraço: o meu queixo pousado no teu ombro e eu viajando no teu perfume pelos trilhos do silêncio: homem só, cerveja na mão; guitarra na boca, carros a gritar convidando-me para morrer: prefiro não olhar; a chuva nos meus dedos lembra-me para me esconder.

Chego à casa onde ninguém quer morar, com os pés prontos para não entrar; vejo-me a correr para o fim.
Os corredores perderam as certezas: não maltratam a paz: - olhem para a verdade!: ela como o Sol, pode cegar; é antiga e muitas são as formas de a sentir - quando tivermos força para calar, talvez haja tempo para escutar.
Falso Graal.

A dor de ter de errar: o mergulho de regresso.

Vou abrindo ao medo as minhas mãos.

01 junho 2009

Escrever bem: até aleija!

Bruno Nogueira.

Queria mesmo ter conseguido saber mostrar isto aqui quando o tinha lido.

Ainda vai a tempo, não vai?

Obrigado.