31 dezembro 2010

(também) porque californication season 4 é uma grande série


"Para a minha querida e linda filha,

estou a escrever-te uma carta.

É verdade, uma carta à antiga.

É uma arte perdida, a sério.

[ ... ]

Eu tenho uma confissão para fazer.

Não gostava muito de ti ao princípio,

eras uma tagarela irritante.

Mas cheiravas bem.

A maior parte do tempo.

Mas não parecias ter grande interesse em mim.

O que eu claro, achei vagamente insultante.

Eras só tu e a tua mãe contra o mundo.

Engraçado como algumas coisas nunca mudam.

Portanto eu atravessei o risco, agindo como um idiota.

Sem realmente perceber, o que ser pai muda em nós.

E não lembro exactamente o momento onde tudo mudou.

Apenas sei que mudou.

Num minuto era impenetrável.

Nada me podia tocar.

No próximo de alguma forma o meu coração batia fora do meu peito.

Exposto a todos os elementos.

Amar-te, tem sido,

a experiência mais profunda, intensa,

dolorosa da minha vida.

De facto, tem sido quase demasiado para suportar.

Como teu pai, fiz um voto silencioso,

de te proteger do mundo.

Sem nunca perceber que iria ser eu,

quem te magoaria mais.

Quando rebobino para a frente, o meu coração despedaça-se.

Mais porque não te imagino,

a falar de mim com orgulho.

Como poderias?

O teu pai é uma criança num corpo de homem.

Ele preocupa-se com nada e com tudo, ao mesmo tempo.

Ninguém acha que ele pode agir.

Alguma coisa tem de mudar.

Alguma coisa tem de ceder.

Está a tornar-se escuro.

Demasiado escuro para se ver."

hank moody

30 dezembro 2010


a hora no limite leva-se pelo contágio que o orgulho impede.

há pedras que se enramam sem perderem a marca de água, identidade emocional: antes de se esfacelarem sob os dialectos que habitaram a tinta agora perdida pelos marcos geodésicos que não te devolveram à estrada vermelha.

queria ter-te cartografado os passos quando o alvoroço te convocava os dias, apenas se o teu queixo comunicava com o peito ligado pelas minhas mãos; descendentes: de um afluente do colapso de trilogias que não se decifravam.

(new ghosts . television skies)


as crisálidas não se agarram a flores ocultas nem ameaçam o abandono de casas onde o espanto persiste em arredondar cantos, que a névoa do tempo contínuo fez mergulhar em ondas frias.

O verão era bebido e guardado na desconfiança com que o cavalete media os néctares que a paleta fazia voar na sala das janelas dominantes: o chão era nosso cúmplice e a clareira continuava silenciosa: às raízes negras dava-lhe o traço, que incisão solar sobre musgos permissivos do apaziguamento até à – sua - saturação.

gem club



NÃO PERCAM AQUI

26 dezembro 2010

até as sociedades mais primitivas admitem os seus loucos 20101226



( imagem de Ansel Adams, via JT )

ou

"a maneira de andar na escuridão sob as gotas" HH

00 Genérico
01 Crevecoeur - We Leave the Ranch
02 Elysian Fields - Mermaid
03 Other Lives - Black Tables
04 Arborea - Dance Sing Fight
05 The Black Heart Procession - Blue Tears
06 Joe Henry - Beautiful Hat
07 Cymbal Eat Guitars - And the Hazy Sea
08 Port'O Brien - Fisherman's Son
09 Trespassers William - What Of Me
10 Asaf Avidan and the Mojos - Turn Of The Tides Under The Northen Lights



Ela disse: "‎invisível como o vento, uma força que impede o virar para trás.
Olhas a terra mas já não a tocas ,dela só o pó que seca os lábios.
Grave essa força ,arrasta cada vez mais do lugar onde o homem vive." (CM)

- de onde vêm estas palavras?

- "sabe-se lá de onde: cuspo-as assim que posso, evitam o vómito filosofal que todos odeiam." (CM)

"Ela disse: porque os vestidos transbordam de vento.
A pintura nos vestidos dá a volta anatómica das cores,
respiram. Que a estrela corra cheia de espuma com toda a força
para trás demorando o movimento da graça,
omoplatas,
e depois desarruma-se tudo para dentro dos olhos.
Então a gente sopra, ela disse que a exultação mantém em suspenso
o poder das lágrimas." herberto helder

"[...] o caos nunca impediu nada, foi sempre um alimento inebriante.
O homem não é uma criatura entre mal e bem: falava-se com Deus porque Deus era a potência, Deus era a unidade rítmica.
A mão sobre as coisas com vida sua, com essa mão reunir as coisas, refazer as coisas - cada coisa tem a sua aura, cada animal tem a sua aura, como se pastoreiam as auras!
em transe: eu sou a coisa. Acabou.
Sento-me a conversar com Deus: palavra, música, martelo
uma equação: conversa de ida e volta.
Depois há gente que fala entre si, depois é o medo, depois é o delírio.
Escuta a breve canção dentro de ti. Que diz ela?
Não move as coisas com as suas auras, nem tu nem a tua canção
pertencem ao mundo cheio, alma que sopra.
Nada se liga entre si, Deus não se debruça na canção; destroça
a cadência.
- o demoníaco. Já se não vê um degrau
arrancar outro degrau pelas lentas escadarias de mármore ao fundo.
A canção abandonou o seu espaço contínuo. [...]" herberto helder

"Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?" Eugénio de Andrade (via V)


MP3 para guardar

24 dezembro 2010

até - no Natal - as sociedades mais primitivas admitem os seus loucos 20101224



for two suns

- ou: uma insistência de cristina monteiro :) -

Feliz Natal!

rabanada's teiqueaúei em mp3



01 Coro Infantil da Universidade de Lisboa - Presente de Natal - Fernando Lopes Graça
02 José Afonso - Natal dos Simples
03 The Pogues - Fairytale In New York
04 Tom Waits - Christmas Card From a Hooker in Minneapolis
05 Stina Nordenstam - Soon After Christmas
06 Low - Blue Christmas
07 XTC - Always Winter Never Christmas
08 Eels - Everything Is Gonna Be Cool This Christmas
09 The Flaming Lips - Christmas at the Zoo
10 The Walkabouts - Christmas Valley

22 dezembro 2010

até as sociedades mais primitivas admitem os seus loucos 20101222

MP3 take away

00 Generico
01 New Order - Elegia
02 Iron And Wine - Love Vigilantes
03 Okkervil River and Shearwater - Cool My Blood
04 Tex La Homa - Here With You
05 Richard Buckner - Home
06 Sarah Blasko - Sleeper Awake
07 Other Lives - Matador
08 Britt Daniel - Everything Hits At Once
09 Frightened Rabbit - Fast Blood
10 Swans - Little Mouth
11 David Sylvian - Before The Bullfight
12 16 Horsepower - Sinnerman

para um anjo: amy mimosa; com um abraço que atravessa todos os mares para Car(3)



o mundo é um gajo mesmo execrável, foda-se: onde apenas perdura o som que navega em olhos rasos de água, tocados por seres tão bonitos, que não permitimos que desapareçam, "porque sempre caminham conosco".

21 dezembro 2010

por "interposta sugerência" de CM



desconstrução emocional: ou quando o que pensamos estupidamente ignorado é assombrosamente capturado e mostrado por alguém.

mão morta . edição especial 26º aniversário

A passagem do 26º aniversário da formação da augusta banda bracarense, vai ficar assinalada pela edição de um EP - na nomenclatura actual - mas como os seus mentores preferem referir-se: um maxi-single, unicamente em suporte de vinil: um épico 12 polegadas, contendo, os últimos temas do álbum de estreia e do seu mais recente trabalho.

A saber, para os mais desprevenidos: um "Lado A" com "Tiago Capitão" de "Pesadelo de Peluche" ediatado este ano e um "B-side" convocando o mitológico "Aum" do álbum de 1984.

Aqui poderão escutar na íntegra os temas deste já histórico disco.

A capa, encaixada em papel vegetal - que aqui não é perceptível - é da autoria de Liliana Pinto, e que podem aceder a titular com brilhantismo a audição.

( nota importante: em tudo o que puderam ler e eventualmente lerão, há apenas um ponta de verdade: assinalem-na - mas acima de tudo agarrem os pequenos detalhes das novas versões: vejam o som embrulhado numa capa assombrosa. )







18 dezembro 2010

( )

"De repente a noite rasga-se e surge uma praia
em que os corpos estonteados acordam
a boca encostada ao mar superior que folheia
o ar que a respirar obriga e bate e canta."

(anónimo em coment mode)

16 dezembro 2010

até as sociedades mais primitivas admitem os seus loucos 20101216



o nome para este espaço foi capturado num poema de Manuel Gusmão.

mas não o vou escrever: aguardo que o enviem, pode ser?

fica o desafio para a ousadia da (re)descoberta consoante o caso.

os sons são para escutar "entre nós e as palavras".



Para levar: just press the eject and give me the tape

01.(genérico)
02 Sétima Legião - Pois Que Deus Assim O Quis
03 Shady Bard - Night Song
04 Tom Waits - Lost In The Harbour
05 Codeine - Sea
06 Angus And Julia Stone- My Malakai
07 The Dream Syndicate - Bullet With My Name On It
08 Lost In The Trees - We Burn The Leaves
09 Love And Rockets - Haunted When The Minutes Drag
10 The Inocence Mission - Gentle the Rain at Home
11 Bonnie Prince Billy - Death in the Sea
12 Bodies Of Water - Water Here
13 Big Blood - Low Gravity Blues
14 A Silver Mt Zion - The Triumph of Our Tired Eyes
15 Shady Bard - Trials
16 Bowerbirds - In Our Talons
17 Sophia - The Sea
18 The Waterboys - This Is The Sea

"[...]É - dizes assim, sempre à espera do que virá - É como se
agora uma radiação fosse que te queima a garganta e a língua
lancetada, o nervo óptico e a córnea gelatinosa, os polegares
os indicadores e os anéis que lhe roubaram, cortados.
Ou dizes: Então - como se pudesses contar o que não tem conto
nem medida - Então, no cérebro do vivo, a imagem começa
a gangrenar, e contamina as árvores do mundo exterior
e a incerta geometria das águas.

Foi então que os desertos se terão posto a caminho
movendo consigo a noite da sideração constelar
como uma maré lunar que duna a duna começasse a escrever
no corpo do ar o dorso de um animal de fogo: assim.
Assim começava a impossível viagem de regresso
ao nascimento, como um afogamento solar, como
um afogamento ao contrário, de onde a árvore incendiada subisse
e só então os pássaros começassem o trabalho da manhã.

Na partitura constelada os desertos escrevem o canto
a metamorfose das dunas sob a pedra do céu; e sonham.
Longamente sonham as nuvens em grandes migrações
que desenham o fluxo e o refluxo do mar oceano.
Os pássaros apenas começaram o seu trabalho
e já no ar se dissolvem
como se fossem a folhagem ininterrupta e alucinada
das palavras.

O amanhecer no deserto é um cristal de rocha
um planeta hialino que rodando velozmente voasse
e como um vento ou uma seta de gelo ateasse o fogo
nos corredores da biblioteca assassinada: Uma floresta sonora. [...]"

11 dezembro 2010

( para a rosa ) porque sim

the waterboys







December is the cruelest month
this time for once my cheeks are warm
After long years in the monkey-house
I am ready for the storm
Let them throw all their cannonballs
let all their strongmen come
I'm ready to go anywhere
through venom, sick and scum!

December isn't always cold
this year she's mine, I know why
Somewhere a flower has to grow
for every flower that dies
I'm stricken with fever
but my heart is strong as steel
I'm ready to go anywhere!
I can believe I can feel!

December is a trusted friend
I always recognise her face
It's a plague of fool thrown aside
forever by her soft and silent grace
She is reckless as a Mayday
gentle as a stone
She's ready to go anywhere
to carry me back home!

December fell deep in the bleak
winter time when Jesus Christ
Howled a saviour baby's howl
primal truth as pure as ice
And though we crucified him on a cross
and dragged his word from prayer to curse
He was able to go anywhere
he was almost one of us!



the girl in the swing; december; a girl called johnny

10 dezembro 2010

A CANÇÃO Smog . I Break Horses



e:
não é demais voltar a referir:

Uma canção pode ser uma partícula de nós.
Na exacta medida em que ao ser escutada, vai ficar sob a pele: acompanhar-nos-á.
Estaremos com ela quando menos pensarmos que tal vai acontecer e, iremos procurá-la numa busca incessante assim que somos fulminados pela memória do que é.

Há canções que se confundem com aquilo que somos, com tudo o que sabemos de quem nos toca.
O seu impacto abre o álbum das imagens para onde nos transportou, de quem nos trouxe, sob a sua escuta de olhos fechados e levou, ao cerrarmos os dentes com a partida.

Embarcámos por rios, apenas com elas, embutidos num som que nos abraça, tragámos vinho a espreitá-las, agarrámo-las com ambas as mãos e com aquelas que nelas se entrelaçaram, numa adição simbiótica.

No empedrado de ruas geladas ou nos trilhos íngremes, em que por vezes se transfiguram os nossos dias, quando a pele estala; rasga e convoca as novas camadas que vão compor o manto que se rende ao núcleo, que nos arrasta, exigindo sermos mais o que temos de ser.

O número de vezes que uma conversa com uma canção é começada ou finalizada é um mero detalhe do que ela representa: independentemente da sequência repetitiva no espaço de uma hora, ou intervalada por anos, quando se trata verdadeiramente de uma canção esse número é desprezível: em absoluto.

Mais do que procurarmos a canção perfeita ou encontrar a que sorrimos quando nos assalta o desejo de a termos escrito; composto; guardado, para mostrar a quem elegemos, é de uma interacção quântica de sensações, espalhadas numa tela, que nos ocorre descrever, essa fórmula de sons: um todo muito maior que a soma das partes.

Quando o pesadelo de fracções de tempo sem a sua companhia se abate, é incrível como a partir daí se gera o contacto com pedaços de música que pensávamos já não ser possível: haverá capacidade para desenhar, o arrebatamento provocado pela ocupação de um lugar julgado livre para sempre, por uma canção inverosímil?

Em ritmos avassaladores ou em suspensão de silêncios inexpugnáveis, solitária de guitarra em punho, ou em piano abandonado, ou ainda com as cordas chamadas, ou em fase de lua, com todas e todos à sua volta, o seu movimento é próprio, com uma identidade de uma exactidão comburente.

Sentados com os antebraços sobre os joelhos, olhando o mar através dos ventos, fechando os olhos e chamando o sol ou acelerando a sua queda.
Perante vastas planícies ou inclinados sobre as descidas de montes que unem céus a corpos estendidos sob o alcance dos dedos: elas, as canções estão lá, mesmo quando ninguém as vê.

Há tantas canções imensas: ao tentar arrumá-las num pensamento lento, ou desprotegê-las num alinhamento atirado por outro vertiginoso, a fileira fica sem fim à vista: a muralha oculta o espaço.
Por isso é custoso ou tremendamente injusto nomear a que encabeça o genoma humano onde ainda ousamos querer ser incluídos.

Contudo, nos momentos que circundam a alucinação do toque das membranas solares, por vezes erguemos a tábua, onde um titulo foi esculpido por lágrimas, beijos, olhares alinhados ou perdidos, abraços ocultados ou cabelos tocados por faces que já não são nossas.

Há canções que nos fazem vento.
Que nos ensinam a ler mapas para abandonar um abismo e outras que nos acendem a vontade de lá nos encolhermos.
Há canções que nos fazem cuspir sangue com dentes implodidos, outras que nos desfazem o estômago e a quem recusamos uma intervenção milagrosa.
E não esquecemos as que, viajando sós, tornam impossivel realizar o percurso sozinhos.

E aquelas que depois de sentidas, é de desintegração; redenção; devoção, que falamos?

“I Break Horses” é transversal a todas estas sensações: trespassa-nos: traceja-nos: mais que aportar até às nossas noites, acompanha escaladas submersas até à nossa ilha favorita.
Acende sinais, sublinha gritos e inventa sentidos.

A redescoberta de uma enciclopédia emocional de canções imensas, tem muitas vezes como exemplo, o minimalismo sensorial que permite, deixa-nos as mãos dormentes depois de sermos desfeitos sem contemplações pelas ondas ténues que faz mover no seu percurso; rumo a nós próprios: em tudo o que somos.

“I Break Horses” é uma partícula de nós que tem a forma de uma canção.

"Well I rode out to the ocean
And the water looked like tarnished gold
I rode out on a broken horse
Who told me she'd never felt so old
She asked me if I'd feed her
And ride her now and then

No no no, no no no, no no no,
I break horses
I don't tend to them
I break horses
They seem to come to me
Asking to be broken
They seem to run to me
I break horses
Doesn't take me long
Just a few well-placed words
And their wandering hearts are gone

At first her warmth felt good between my legs
Living breathing heart-beating flesh
But soon that warmth turned to an itch
Turned to a scratch
Turned to a gash
I break horses
I don't tend to them

Tonight I'm swimming to my favorite island
And I don't want to see you swimming behind
Tonight I'm swimming to my favorite island
And I don't want to see you swimming behind
No I break horses
I don't tend to them"

08 dezembro 2010

"i love the smell of the napalm in the" night

a propósito de um desafio lançado a D. para escrever "uma lista de 15 mandamentos sobre: como viver harmoniosamente com os inimigos ( máximo 450 palavras )", fui favorecido pelos deuses e arredores por me terem possibilitado ler isto:

"
I – Em silêncio: de olhar directo.
II – Em combustão: de cordialidade ao peito.
III – Como a lua: desaparecendo à espreita: reaparecendo da sombra.
IV – A filmar: quando pensa estar só.
V – A recolher: quando se julga ao ataque.
VI – Como Judas: que me lava os pés: que se senta e come: come a meu lado.
VII – Não morrerás: para me dares alento.
VIII – Não julgarás: no cruzamento da navalha que te espeta.
IX – Não roubarás: as pragas que te dirijo do cume da montanha.
X – Serei descuidado: na distância que te guardo: nos milímetros a teu lado.
XI – Serei harmonioso: pela forma como te escrevo: pela raiva que te tenho.
XII – Estarei inerte: quando passares pela porta que não crava sangue de morte.
XIII – Honrarás as minhas ordens: serei justo aos olhos de nós.
XIV – Guardarás a vingança no seio da extinção: afastarei os medos do confronto carnal.
XV – Seremos vozes dicotómicas da vida: sombra e luz que se cruzam no olhar, sem nunca se poder tocar.~
"

poderoso.

tky D.

para ti, some songs about the enemy* ( )

Jesca Hoop - Enemy


Andrew Bird - See The Enemy


The Kissaway Trail - Enemy


Apostole Of The Hustle - How to Defeat a More Powerful Enemy


Guided By Voices - The Enemy


Los Campesinos! - I Warned You: Do Not Make an Enemy of Me


Late Of The Pier - The Enemy Are The Future

02 dezembro 2010

puta madre





vê-lo tocar em santa maria da feira a centímetros do palco é algo de inesquecível.

vê-lo caminhar em direcção ao hotel foi algo de perturbador.

a fuckin genious

(songs of devotion) claro

(songs of devotion) Low - (That's How You Sing) Amazing Grace

até as sociedades mais primitivas admitem os seus loucos 20101202


(imagem de béatrice helg)

"os poetas : entre nós e as palavras"

excertos de uma obra sem dimensão concebida por Rodrigo Leão, Gabriel Gomes e Manuel Herminio Monteiro em 1997: uma coisa assim, quase desumana.

para guardar em MP3




1 passagem das horas

2 no sorriso louco das mães
No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e orgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo.
São silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos. Porque
os filhos são como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudez de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
e através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado
por dentro do amor.

Herberto Helder

3 paisagem
4 há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida

Há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu… como seriam felizes as mulheres
à beira-mar debruçadas para luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado

por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos… sem ninguém

e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta… dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca do mar ao fundo da rua
assim envelheci… acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão

(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no
coração, mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)

um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas de que alguma vez me visite a felicidade

Al Berto

5 o café dos poetas

6 minha cabeça estremece
Minha cabeça estremece com todo o esquecimento.
Eu procuro dizer como tudo é outra coisa.
Falo, penso.
Sonho sobre os tremendos ossos dos pés.
É sempre outra coisa,
uma só coisa coberta de nomes.
E a morte passa de boca em boca com a leve saliva,
com o terror que há sempre
no fundo informulado de uma vida.

Sei que os campos imaginam as suas próprias rosas.
As pessoas imaginam os seus próprios campos de rosas.
E às vezes estou na frente dos campos
como se morresse;
outras, como se agora somente eu pudesse acordar.

Por vezes tudo se ilumina.
Por vezes sangra e canta.
Eu digo que ninguém se perdoa no tempo.
Que a loucura tem espinhos como uma garganta.
Eu digo: roda ao longe o outono,
e o que é o outono?
As pálpebras batem contra o grande dia masculino do pensamento.

Deito coisas vivas e mortas no espírito da obra.
Minha vida extasia-se como uma câmara de tochas.

- Era uma casa – como direi? – absoluta.

Eu jogo, eu juro.
Era uma casinfância.
Sei como era uma casa louca.
Eu metia as mãos na água: adormecia,
relembrava.
Os espelhos rachavam-se contra a nossa mocidade.

Apalpo agora o girar das brutais,
líricas rodas da vida.
Há no esquecimento, ou na lembrança total das coisas,
uma rosa como uma alta cabeça,
um peixe como um movimento rápido e severo.
Uma rosapeixe dentro da minha ideia desvairada.
Há copos, garfos inebriados dentro de mim.
- Porque o amor das coisas no seu tempo futuro
é terrivelmente profundo, é suave,
devastador.

As cadeiras ardiam nos lugares.
Minhas irmãs habitavam ao cimo do movimento
como seres pasmados.
Às vezes riam alto. Teciam-se
em seu escuro terrífico.
A menstruação sonhava podre dentro delas,
à boca da noite.
Cantava muito baixo.
Parecia fluir.
Rodear as mesas, as penumbras fulminadas.
Chovia nas noites terrestres.
Eu quero gritar paralém da loucura terrestre.
— Era húmido, destilado, inspirado.

Havia rigor. Oh, exemplo extremo.
Havia uma essência de oficina.
Uma matéria sensacional no segredo das fruteiras,
com as suas maçãs centrípetas
e as uvas pendidas sobre a maturidade.
Havia a magnólia quente de um gato.
Gato que entrava pelas mãos, ou magnólia
que saía da mão para o rosto da mãe sombriamente pura.
Ah, mãe louca à volta, sentadamente completa.
As mãos tocavam por cima do ardor
a carne como um pedaço extasiado.

Era uma casabsoluta – como direi? -
um sentimento onde algumas pessoas morreriam.
Demência para sorrir elevadamente.
Ter amoras, folhas verdes, espinhos
com pequena treva por todos os cantos.
Nome no espírito como uma rosapeixe.

- Prefiro enlouquecer nos corredores arqueados
agora nas palavras.
Prefiro cantar nas varandas interiores.
Porque havia escadas e mulheres que paravam
minadas de inteligência.
O corpo sem rosáceas, a linguagem para amar e ruminar.
O leite cantante.

Eu agora mergulho e ascendo como um copo.
Trago para cima essa imagem de água interna.
- Caneta do poema dissolvida no sentido primacial do poema.
Ou o poema subindo pela caneta,
atravessando seu próprio impulso,
poema regressando.
Tudo se levanta como um cravo,
uma faca levantada.
Tudo morre o seu nome noutro nome.

Poema não saindo do poder da loucura.
Poema como base inconcreta de criação.
Ah, pensar com delicadeza,
imaginar com ferocidade.
Porque eu sou uma vida com furibunda melancolia,
com furibunda concepção.
Com alguma ironia furibunda.

Sou uma devastação inteligente.
Com malmequeres fabulosos.
Ouro por cima.
A madrugada ou a noite triste tocadas
em trompete.
Sou alguma coisa audível, sensível.
Um movimento.
Cadeira congeminando-se na bacia,
feita o sentar-se.
Ou flores bebendo a jarra.
O silêncio estrutural das flores.
E a mesa por baixo.
A sonhar.

Herberto Helder

29 novembro 2010

até as sociedades mais primitivas admitem os seus loucos 20101130



(imagem de béatrice helg)

01 balmorhea - clamor
02 laura marling - failure
03 spain - ray of light
04 highspire - satellite
05 lilium - her man has run
06 tunng -code breaker
07 american music club - how low
08 agent ribbons - dada girlfriend
09 the band of holy joy - rosemary smith
10 the brian jonestown massacre - nothing to lose
11 dm stith - spirit ditch
12 the triffids - stolen property



para guardar:MP3

big blood . dead song



é por estas e por outras que gosto de mostrar o que conheço: depois tenho recompensas destas: topem bem este estrondo. tky sister T

The Triffids . Born Sandy Devotional





para guardar em mp3

25 novembro 2010

durante um dia

num dia que deu noticias escusadas, por aqui (num hell of a place) a memória foi agitada por esta canção que passei anos sem escutar. de um álbum que me fez conhecer bill smog callahn smog e, que há semelhança de todos os que editou é desmanchador, tal a dimensão que atinge com uma simplicidade assassina.

como se não bastasse - confesso que não sei quem - alguém fez um video assim:



e claro: hoje não consegui ouvir outra coisa.

assombroso ( gamado ao nino )

(Songs of Devotion) Swans . Real Love

Agnes Buen Garnås & Jan Garbarek - Rosensfole

Nick Cave and the Bad Seeds . By The Time I Get To Phoenix

23 novembro 2010

The Suzan . Golden Week For The Poco Poco Beat . 2010



Num ano que se aproxima a passos largos do fim, a resenha do seu decurso - temos desafio João: aceite? - terá forçosamente de registar os efeitos da manifestação sobre a Natureza da sonoridade produzida por este quarteto de japonésidas, tal como Manelinho, o compincha de Mafalda, definia os habitantes do imperial Japão.

Um álbum estimulante, gerador de entusiasmo: contaminação absoluta.

Resta a ousadia da escuta destes cinco temas que mostram diferentes contributos para um disco muitíssimo bom: depois é complementar com a audição integral, se não se importarem.

Uma limonada fabulosa: e atenção que eu adoro cerveja :)



Secret; Ramble; Into the light; Home; Uh Ah.

17 novembro 2010

até as sociedades mais primitivas admitem os seus loucos 20101117

( post em construção, quase todo ele gamado)

o que vos pretendo aqui mostrar é o espólio de um roubo; uma colheita efectuada sobre praias inverosímeis ladeadas por cidades em chamas, onde o som espreita e escapa para um labirinto supenso: ergue-se uma ressurreição como só a inocência e o pecado o permitem, na espuma dos dias invadida pela magnifica arte do descobre[co]hecimento. Amanhã em viagem trato do essencial, pode ser? Grazie mille.

Vai um cheirinho? Nã: mais um pouco, ok? Até, porque, pelo andar da carruagem e pela classe dos contribuintes, conto efectuar mais uns saques: afinal, a politica da casa, certo?

13:35

Aber: como sairá.

A vantagem do formato é que podem assistir a imagens e até alinhar as canções, acertadas a gosto, porque a formação para podcast ainda está longe :)

Acima de tudo: uma enorme descoberta - pelo menos para mim - de temas deslumbrantes, com outros de autores que conheço, mas as faixas em concreto não.

As outras são e se vão tornando óbvias.

O meu OBRIGADO a quem as mostrou.

just enjoy

- em construção suspensa até ao inicio da noite :) -

16:14: done! - as noites já não são o que eram :D

just play, with fire :)

(indicativo)


cluster . sowiesoso


fredo viola . the turn (ghost cluster)


drop nineteen's . delaware

autolux . transit transit


rené aubry: "steppe live"

british sea power . zeus


brmc . beat the devil's tattoo


chloé . one in other


eef barzelay . lose big


ion . madre protegenos


l'altra . soft connection


dragons . here are the roses


songs: ohia . the lioness


rokia traore . wanita


jesse sykes & the sweet hereafter . reckless burning


sigur rós . ágætis byrjun

13 novembro 2010

até as sociedades mais primitivas admitem os seus loucos 20101113



00 (indicativo)
01 michael nyman – "prawn watching" – a zed and two noughts - 1990
02 dark dark dark – "daydreaming" – wild go – 2010
03 james – "johnny yen" – stutter - 1986
04 elysian fields – "where can we go but nowhere" - the afterlife - 2009
05 carissa’s wierd - "low budget slow motion soundtrack song for the leaving scene" - they'll only miss you when you leave: songs (1996-2003) - 2010
06 kristin hersh – "home" – strange angels - 1998
07 wovenhand – "orchard gate" - the threshing floor – 2010
08 lisa germano – "pearls" – lullaby for liquid pig - 2003
09 richard buckner - "born into giving it up" – impasse -2002
10 smog – "dress sexy at my funeral" - dongs of sevotion - 2000
11 calla – "stand paralyzed" – strength in numbers - 2007
12 swans – "will we survive?" - white light from the mouth of infinity - 1991

em MP3

estes gajos... oub'lá

(songs of) Devotion . Willard Grant Conspiracy - The Suffering Song

mais (algumas) músicas sem percussão :)























11 novembro 2010

até as sociedades mais primitivas admitem os seus loucos - 2010.11.11

01 Test Dept - Current Affairs
02 Blonde Redhead - Love Or Prison
03 Warpaint - Set Your Arms Down
04 Broken Social Scene - Texico Bitches
05 Grinderman - Star Charmer
06 The Afghan Whigs - Be Sweet
07 Horse Feathers - Drain You
08 Foals - 2 Trees
09 Ilyas Ahmed - This Dust
10 Coma Cinema - Blue Suicide
11 The Rural Alberta Advantage - Drain The Blood
12 Mark Kozelek - Heron Blue
13 Três Cantos - Que Força é Essa
14 The Triffids - Stolen Property



Para guardar: MP3