28 abril 2010

hey little sister: FLY







Alexi Murdoch - Orange Sky



"When I am alone
When I've thrown off the weight of this crazy stone
When I've lost all care for the things I own
That's when I miss you, that's when I miss you, that's when I miss you
You who are my home
You who are my home
And here is what I know now
Here is what I know now"

25 abril 2010

Sonic Youth @ Porto, Coliseu - 23.04.2010

(para o meu sol)

Este não é apenas um texto que contém as sensações provocadas por assistir a um concerto, que permitem de facto, alguns momentos redentores a tentar elaborar um conjunto de palavras sobre ele.

Não é só de música que se trata quando é dito seja de que modo for o nome Sonic Youth.
Por causa disso mesmo, de se constituírem num Nome: uma classificação gramatical por inventar ou a pureza de um estado por decifrar; uma monumentalidade por esboçar, ao observá-los pelo método da escuta: como uma árvore encorpada, a desmultiplicar-se, de um tronco imponente e milenar, por ramos que são braços de som, assente em raízes de sabedoria.
E o seu movimento quando soçobra a ventos ou gera cataclismos toma o formato de canções.

A dificuldade adensa-se porque se fica perante uma tarefa semelhante a descrever a nós próprios um ente muito próximo – o quanto e como o queremos assim; que diz presente à nossa sanguinação.
Ou então, como nas boas histórias que são para dar a conhecer, pelas zonas limítrofes dos sentidos, com um misto de entusiasmo, veneração, desejo que saibam que os sentimos assim, dessa forma, mas que fique em segredo, recatados das correntes ventosas que possam transmitir em voz demasiado alta o que estamos como que a confidenciar.

Para agitar as águas de forma a torná-las mais cristalinas imediatamente a seguir, os Sonic Youth são O expoente: de todos os projectos e conceitos postos em prática, para cumprir o sonho de dias dedicados à Música, quando nos referimos ao percurso por franjas reservadas, mais do que a talentos exacerbados – que logicamente também o são – a quem anda sempre um passo à frente: antes deles nada era assim: depois não falta quem lhe siga as pisadas e, como em qualquer descendência que se deseja, caminham pelos seus próprios pés, cimentando posições e tornando própria uma existência em muitos casos talentosa.

Ao Rock deram-lhe a volta e também duas letras que não tinha para complementar a sua definição – SY – inventaram-lhe um som, regeneraram-no, a exigir o fim dos processos que levavam à sua extinção: guitarras em respiração sonora de forma inédita, manejo depurado com o decorrer dos anos.
Cordas batidas por mãos sábias ou peças metálicas, interrupção intervalada e frenética de cabos de amplificação: a distorção a levar a melodia atrás de si e esta a servir de transporte elevatório à outra, depois de demonstração cabal de como o tornar uma arte de valor imenso.

Estariam provavelmente – ou se calhar até não – longe de imaginar quão bem aplicada, foi a escolha do nome para apresentar as suas ideias ao longo de todos estes anos.
A uma juventude de cariz sónico aplicaram as regras que basearam o seu caminho pela edição de discos, apresentações em palco ou transmissão de correntes de pensamento de uma coerência exemplar, em entrevistas ou tomadas de posições públicas.

Com uma inteligência quase sobrenatural, escaparam aos domínios de maior exposição e fúteis.
Sem cedências a uma industria destruidora de talentos, através da respiração anestesiante sobre a criatividade, amputação de vontade própria, partiram para elaboração de um percurso onde caiba a honestidade, o valor musical e a sobreposição da arte ao negócio.

Tocaram em Portugal um número de vezes ridículo atendendo à sua dimensão como representantes de uma arte cuja existência nos dias de hoje são absolutamente responsáveis: pelo que desconstruíram, fizeram prevalecer e lhe permitiram regenerar, capturando a entrega de quem a escuta, na exacta medida da que com que se atiram à evolução da sua carreira.

Depois da passagem por cá, por locais que no fundo não são adequados ao som que transportam, no que diz respeito ao formato – vulgo festivais – ou por ser exposto ao ar livre que não faz falta nenhuma ao seu som – embora em 1993 no Campo Pequeno tenham permitido uma noite que nem ousamos segredar – a sua passagem pelos Coliseus, principalmente o do Porto, é a aplicação correcta da teoria da relatividade à génese do que são e, a reposição da justiça a uma cidade que merecia a sua visita há demasiado tempo.

A questão é extraordinariamente simples: quantas bandas editaram tantos discos; tão bons, fulcrais para dar um novo rumo a um género e perpetuá-lo com a recorrência a uma matriz tão soberba?
- Quando a cabeça e o pescoço atingem o esgotamento na busca de reposta, a agulha da certeza magnética apenas apontou para os Sonic Youth.
É incrível a qualidade dos discos que editaram ao longo destes anos, que mais do que a forma como foram marcantes para uma corrente, ou como a partir de certa altura geraram descendentes como cogumelos, se perfilam como os essenciais de cada ano da sua publicação e o modo incrível como perduraram e perdurarão em todos os capítulos da História da Música.

Com as possibilidades que estes novos tempos trazem, numa velocidade que torna o imediato quase que antecipado, o conhecimento dos alinhamentos dos concertos em Espanha e depois o quase antagónico de Lisboa, criou a possibilidade da especulação que lançou a ansiedade para o que poderia decorrer em palco e por arrastamento a toda uma sala.

Tenho para mim, que qualquer que fosse o desenho da “set list” muito ficaria por tocar, mas face à dimensão desta gente, acaba por ser desmesuradamente relativo o conjunto de canções que executem.

Foi tudo isto que permitiu o que se viu no Coliseu do Porto: a poder estar mais cheio ainda! – cabe sempre mais um seguidor no espaço gerado por um som brutal.
A sala que já mostrou uma infinidade de gente que contribuiu exemplarmente para noites inesquecíveis, apresentava finalmente os Sonic Youth, oferecia a possibilidade de ver os criadores de Bad Moon Rising; Evol; Sister; Daydream Nation; Goo; Dirty; Experimental Jet Set, Trash & No Star; Washing Machine; Murray Street; Rather Ripped e The Eternal: contaram?

- Como se vê um rol fabuloso e impressionante de álbuns incríveis contendo uma enormidade de canções, pelo que, como ficou comprovado estão mais que no activo, não decidiram fazer uma revisitação de carreira e concentram a actuação em The Eternal.

De um modo só ao alcance de quem é grande, demonstraram o nível alto do mais recente trabalho com uma garra tremenda, com uma seriedade incomum, encarregando-se de demonstrar o que já não necessitam - com “I Got A Catholic Block” quase como única excepção ao desfilar de “The Eternal”: a outra foi a estrondosa “Stereo Santicty – e, se há temas que já estavam a caminho da galeria dos clássicos, como Antena, Sacred Trickster, Poison Arrow e Massage the History, lá ficaram cravados depois prestação de 230410, pois o primeiro e o último estiveram ligados aos imensos momentos da noite.

Com Kim Gordon a dirigir-se ao público por uma única vez e, sempre preocupada com o som de retorno e disponibilização da guitarra correcta – como eventualmente já terão visto, a set list de um concerto deles, é uma espectacular matriz de nomes dos músicos, tipo de guitarra e de quem assegura a voz! – foi mais uma vez Thurston Moore a comunicar com as massas: a apresentar alguns temas: “for you all sex maniacs, this is Anti-Orgasm, referiu-se ainda a “one of many treasures of Portugal”, ou a dedicar ao músico que assegurou a primeira parte, Leaky Liefeboat.

Mas foi no primeiro regresso ao palco, ao pedir luzes sobre a assistência e fotografar/filmar o maralhal no seu blaquebérri ou áifoda-se, acercando-se do povo gradeado, que testemunhou de forma exemplar os agradecimentos a quem chegou a atingir algum êxtase, com pulos, rebolar por cima das cabeças e mãos dos outros – gosto de o descrever assim - e por vezes com palmas excessivas sem as músicas terminarem, mas temos de ver que é de fuckin’ rock’n roll que - também - se tratava a noite!

Com Lee Ranaldo por mais do que uma vez radiante a recepcionar o ambiente de culto prestado e brilhante na guitarra do lado direito do palco – na visão de quem lá estava em cima – e, Mark Ibold a merecer uma noite assim – “só” é músico dos Pavement – logo de seguida, deixaram Steve Shelley na bateria um pouco mais atrás, com um desempenho notável, servindo de guarda a Kim Gordon no centro – que monumento de actuação – porque o desatinado Moore é um diabo à solta e não há protecção que necessite.

Num palco com painéis com imagens que se incandesciam quando acossados pela iluminação, o som poderia ser bastante melhor, dado o calibre dos músicos e a fabulosa parafernália de guitarras à disposição de tamanha gente.

Se até ao “encore” a actuação foi brilhante, com alguns momentos de génio e uma aceleração do público muito boa, foi no duplo regresso ao palco que a coisa atingiu a erupção: The Sprawl e ‘Cross the Breeze” no primeiro deles , “Candle” e “Death Valey ’69” no segundo.

Meia hora histórica, em que a sagração não se limitou a desaguar mas a submergir “sonicamente” quem teve a bênção de ali estar: guitarras tocadas como não é possível ver todos os dias a pulsarem num conceito muito próximo do sanguíneo, numa perspectiva de redefinição, em que os três temas de Daydream Nation aclararam a possibilidade da revelação e o 25 anos da canção de “Bad Moon Rising” a intemporalidade de um génio: deflagrador.
Guitarras empunhadas e elevadas, tocadas pelo público: em procissão até se tocarem obliquas pelas mãos de Lee Ranaldo e Thurston Moore até à retirada de cena, um por um, com Steve Shelley aninhado na bateria a extrair sons do seu sopé e com Thurston Moore de gatas a garantir que a distorção atingiria o cume antes do palco se tornar um imenso vazio que não mais seria ocupado: tanta merda aberta a noite toda e tinham que acabar aquilo à meia-noite.

Tocar assim; ao atingir aquele estado em palco; agora: depois de os ter em visto em Lisboa em 1993, classificaram o hiato de anos num espaço contido no interior de um vaso sanguíneo: estreito: sem dimensão aquilo que transporta: eu sempre soube que eram únicos.
E a decisão do alinhamento mostra que o risco lhes é inerente e por isso atingiram o estatuto que justificadamente possuem.
Mas atenção, que depois do que assisti continuo a achar que os espanhóis têm uma sorte do caraças!

Alinhamento:

No Way
Sacred Trickster
Calming The Snake
Anti-Orgasm
(I Got A) Catholic Block
Malibu Gas Station
What We Know
Antenna
Leaky Life Boat
Stereo Sanctity
Walkin Blue
Poison Arrow
Massage The History

The Sprawl
Cross The Breeze

Candle
Death Valley '69

24 abril 2010

SY @ Porto 2010.04.23 (03)

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SY @ Porto 2010.04.23 (02)

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SY @ Porto 2010.04.23 (01)

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SY @ Porto 2010.04.23 (05)

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SY @ Porto 2010.04.23 (04)

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SY @ Porto 2010.04.23 (07)

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SY @ Porto 2010.04.23 (06)

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SY @ Porto 2010.04.23 (08)

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SY @ Porto 2010.04.23 (10)

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SY @ Porto 2010.04.23 (09)

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SY @ Porto 2010.04.23 (11)

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SY @ Porto 2010.04.23 (12)

U

21 abril 2010

SY

set list Espanha.

temas de Daydream Nation.
E de Experimental Jet Set, Trash & No Star.
De Sister!
E de Evol.
De Bad Moon Rising e Kill Yr. Idols para além de edições especiais.

por mim "não mexe mais".

Set lists das apresentações desta semana em Barcelona e Madrid: passaram-se!
Tanta coisa com uns anos e outras mesmo bem escondidas e como se ouvem ainda hoje.
A fuckin mazing
e sexta está já aí.


Agnes Buen Garnas; Jan Garbarek . Rosenfole









f A s S i S t A s ?

aGoRa o f-.-.-,,i,..,.l,-e---D;E:n suspendeu-me a conta!
as mais recentes possibilidades de escutas foram-se

se quiserem oficializem encomendas: quanto aos outros: f A s S i S t A s !
- querem ver que foi do comentário do checo e do que não é primo de boston que não tem tia!
eles andem mesmo aí.

19 abril 2010

Joanna Newsom Tour Dates









5/9/10 Minehead
5/11/10 London
5/12/10 London
5/14/10 Brussels
5/16/10 Hamburg
5/17/10 Berlin
5/19/10 Düsseldorf
5/21/10 Frankfurt
5/23/10 Copenhagen
5/24/10 Stockholm
5/25/10 Oslo
5/27/10 Helsinki
5/29/10 Eindhoven
5/30/10 Amsterdam
5/31/10 Paris
8/4/10 Seattle, WA
8/5/10 Vancouver, BC
8/22/10 Glanusk

De que é que estão à espera para tornar Junho um mês histórico?
- Já percebi: dos espanhóis!

Scout Niblett - Aveiro a 29 mai 2010 - e eu sem lá poder ir.



teatro aveirense on fire a aproveitar a guna da ida ao primavera sound!

Bonnie 'Prince' Billy - I See A Darkness

editors . The Racing Rats . Live Acoustic MTV Italia (5 & 9July 2007)

um livro que não se acaba de ler: queria poder lê-lo um pouco todos os dias.






uma escrita sem dimensão: palavras manejadas para que a respiração se extinga na leitura: que atropela - uma porrada autêntica.

17 abril 2010

Titus Andronicus . The Battle Of Hampton Roads










O Eyjafjallajokull fica em New Jersey?

Poderei ter perdido uma faixa de eleição para o fecho de uma rotação "das sociedades", mas fica já como uma devotion song: awefuckinsomeness: a escutar com todo o cuidado, ok?
Merece ser ouvida com a melhor qualidade de som que consigam obter.
Ah: de referir que o álbum é poderosissimo: do fuckin'caralhómetro mesmo! jísas.

"The Battle Of Hampton Roads" é mesmo um estrilho: uma canção daquelas que nos vira do avesso.

"tonight two great ships will pull back to their ports
depleted of everything that shoots flames and reports
and in the morning the shells will wash up on the shore
and the mighty old earth will have no other recourse

but to shiver and shake and make shit in their shorts
because we have been told "men if you've been assured
there's a way to live the valley of your forefathers gave you
prepare to be told "that shits gay dude", but i guess that what they say is true

and there is no race more human, no one throws it away like they do

the things i used to love i have come to reject
the things i used to hate i have learned to accept
and the worst of the 3 you now have to expect
satan aint hard to see you without craning your neck
he'll be 70 some inches tall he'll be chugging a beer and grabbing his balls
hes the remote explosive waiting for someone to call

he's just 18 for now but hes going to murder us all

some days wanna give a little less than it'll take
is there a girl at this college who hasn't been raped?
is there a boy in this town thats not exploding with hate?
is there a human alive aint looked themself in the face without winking or saying what they mean without drinking without leaving something without thinking what if somebody doesnt approve?

is there a song this earth that isn't too frightened to move?

i think of all people you got a bullet in your brain when it was nothing but a piece of puddy

though try as you may but you will always be a tourist

and half the time i open my mouth to speak it's to repeat something that i heard on tv and im destroying everything that wouldnt make me more like bruce springsteen

so im going back to new jersey i do believe they've had enough of me

somewhere now i leave boston my tail is between my lines
after deep calms of pain we're drunk to the drags
and now im heading west on 84 again
and im as much of an asshole as ive ever been

and there is still nothing about myself that i respect
still havent done anything i did not lay to regret
i have a hand in a napkin when my love came for sex

and thats no one to talk to when feeling depressed

and so now when i drink im going to drink to excess

and when i smoke i will smoke keep it in hold it in my chest

and when i scream i will scream until im gasping for breath

and when i get sick i will stay sick for the rest of my

days peddling hate at the back of a chevy express

each one will fly into the face of your idea of success

and if this be thy will then fuckin' pass me the cup

and im sorry dad no i'm not making this up!

but my enemies feel on the name under my wrist as i go to sleep and i know what little ive known of peace until ive done to you what you've done to me.

and i'd be nothing without you my darling please dont ever leave me.

please dont ever leave"

E conseguem pô-la em cima de um palco: porém move-se: espalham-na.
Tiveram foi de a dividir: unam-na vocês: voem.


16 abril 2010

(mal posso esperar para ouvir) NINA NASTASIA . Outlaster












A propósito vem daqui: mais um hell of a place.

E vão já vendo quando aparece por cá para actuar.

UPDATE

é só ajustar agendas :)

13 Mai 2010 101 / Admiralspalast Berlin, Berlin
24 Mai 2010 Cafe OTO London
25 Mai 2010 St Margaret’s Church Manchester
26 Mai 2010 Cluny 2 Newcastle
27 Mai 2010 Nice And Sleazy’s Glasgow
28 Mai 2010 The Folk House Bristol
29 Mai 2010 Secret Venue London
30 Mai 2010 Talking Heads Southampton
31 Mai 2010 The Freebutt Brighton

UPDATE 2 - muito bom.
( You Can Take Your Time )

15 abril 2010

herberto helder









"Se o fio acaba nos dedos, o fio vivo, se os dedos
não chegam à alma do tecido
onde coloca tudo, o convexo e côncavo, os elementos
nobres, ar em redor da cabeça, fogo
que o ar sustenta,
e os remoinhos trazidos ao tecido pela fusão dos dedos da matéria
nascente -
se o bafo atiça a trama em que trabalha as fibras:
tem de arrancá-las: nervos,
cartilagens, linhas
de glóbulos: tem de coá-la, à substância difícil, torná-la
dúctil, dócil
pronta
para o jeito dos dedos e a força da boca:
dar respiraçãp desde o começo
do fio ao extremo - se o fio é longo
para aquilo que ele com mão técnica toda adentro põe e tira
do recôndito, se um como que brilho de hélio
é muito para bexiga,
língua,
cerebelo -
que deixe o corpo tapado porque hão-de um dia abri-lo
num abalo, o pneuma por um cano de ouro,
astros em bruto,
o escuro
- e esses dedos mexendo em medidas de sangue,
peso de osso.

Nem sempre se tem a voltagem das coisas: mesa aqui, fogão aceso,
torneiras fechadas com aquela assombrosa massa de água
atrás, à espera,
roupas, madeiras, livros.
Oh como alguém espera que a luz se levante asperamente até à cara.
Ou se espera ver em alguém assim
tocado ver
o sangue nos orifícios da cabeça, ou
melhor:
amígdalas, palato, língua, a voz tratada a sangue e rapidez.
E a maneira de andar na escuridão soba as gotas,
cuidar da ferida, cuidar
da gramática, árduo cuidar, quem
pensaria?, cuidar da música,
do mundo.
Há um azul selvagem defronte se alguém se vira,
nas costas rebenta a espuma.
Que sim, que os elementos através da casa: um espaço
na beleza: água atrás das paredes,
fogo nas botijas,
cristal nas unhas.
Mantém o nome, tu, o gás cingido pelos aros de ferro, mesa
e papéis, a morte atenta, mantém-na, tarda, não
tarda, abertas, fechadas
as torneiras.
Oh mundo escrito dolorosamente nas faixas de seda
saída de bichos como que
plenos, em brasa, mas
macios, saída
do âmago dos bichos.
Quem morre morre, tão fulgurante nas mãos e na testa.
O bafo trabalha nas linhas perigosas.
A estrela estala."

Até as sociedade mais primitivas admitem os seus loucos 20100415

All fuckin' aboard?
- Go!



01 mogwai - waltz for aidan
02 silver jews - there is a place
03 swell - blackmilk
04 young gods - longue route
05 massive attack - inertia creeps
06 sonic youth - bull in the heather
07 micah p. hinson - don't you
08 throwing muses - hate my way
09 p j harvey - good fortune
10 tom waits - goin out west
11 pixies - gigantic
12 my morning jacket - lay low
13 john spencer blues explosion - i wanna make it all right
14 madrugada - seven seconds
15 nick cave - loom of the land
16 love and rockets - kundalini express
17 big pink - velvet
18 airborne toxic event - sometime around midnight
19 jesus and mary chain - april skies
20 brmc - awake
21 kissaway trail - don't wake up

catch!

13 abril 2010

Blood Red Shoes @ Porto, Casa da Música - 2010.04.12



Sim, partiram um bocadito daquilo tudo.

Um par de putos muito bacanos: talento a rodos a desaguar em hiperactividade na bateria e percussões e voz de rasgo: desempenho tímido; tecnicamente soberbo; guitarra manejada com arte, por uma menina muito bonita: rock em estado puro.

À fórmula do par distribuído no palco por uma bateria colocada a um extremo - de lado, contrariando o tradicionalismo da localização e a guitarra ao centro, os Blood Red Shoes, respondem com um cunho pessoal, com rock em estado puro, mostrando com muita garra e genuinidade a paleta de canções que resultou de tudo o que beberam e se orgulham carregadinhos de razão, não reinventado o que já não é para isso que existe – não vale a pena alimentar discussões estéreis sobre uma corrente que no fundo não se permite a ser exterminada.

Laura-Mary Carter é uma guitarrista excelente: dona de voz que marca alguma diferença em relação a projectos que gravitam na esfera onde os Blood Red Shoes se movem com um à vontade impressionante: de características menos agressivas, sob um manto de timidez, adocicada por vezes, complementa muito bem a histeria pouco exagerada de Steven Ansell, que se entrega até à exaustão na bateria que domina de forma espantosa e ainda lhe sobra tempo para forçar a voz até aos limites.

Perante uma Sala 2 que podia ter atestado mais, com um som muito bem equilibrado, os Blood Red Shoes, socorreram-se dos seus dois álbuns de estúdio para dar um concerto muitíssimo bom.

Uns putos bacanos é o que são, não é demais referir.

Abrindo com It’s Get Boring At The Sea do disco de 2008 Box of Secrets, começaram a espalhar o seu espólio de forma crua, directa, exemplarmente bem tocada e com uma entrega notável.

Sempre em crescendo, com uma desenvoltura bastante apreciável, foram ampliando a ignição até um mar de chamas de bom recorte.

Num “slalom” quase matemático foram alternando entre temas do trabalho referido e o deste ano: Fire Like This, numa descida ampla a velocidade controlada, transformada em escalada a pulso para uma noite em cheio.

Depois de passarem em grande nível por It’s Happening Again, voltaram ao registo de estreia com I Wish I Was Someone Better já com a chave na mão para abertura de uma área reservada a quem lida com a música de uma forma elogiável.

Pista aberta para o lançamento do voo Liht It Up do disco deste ano, numa explosão brutal, para o regresso imediato ao emblemático You Bring Me Down numa cadência perfeita, num ritmo que crescia a olhos vistos, para um apaziguamento relativo no brilhante When You Wake, interpretado de forma fantástica.

Com o publico absolutamente conquistado, quase desde os primeiros minutos, foi com mestria que foram elevando expectativas e as cumpriram.

As vozes em bom plano, percussão criativa, guitarra ondulante sob mãos de quem sabe o que faz, mantiveram-se no disco que agora editaram com Keeping Close num percurso fértil que permitiu mostrar This Is Not For You de um modo magnifico, anunciado por Steven Ansell, mais comunicativo, com a ssumidamente tímida Laura-Mary Carter, que não percebeu o “és toda linda”, que no encore já gritada no inglês de terras de sua majestade.

Uns putos muito bacanos, sem margens para dúvidas.

Como por monarquias não se regem as noites de rock, o povo que não parava de saltar atirou-se também ele a Don’t Ask, e depois de provocar a satisfação à dupla que teimava em incendiar a noite, ao mais falador baterista, à mais reservada mas sorridente guitarrista, porque a nível de vozes, continuavam a dividir predominância, como o faziam com saltos e retornos das canções de cada álbum: o pretexto era agora um muito bom Say Something, Say Nothing.

Anúncio para a última canção da noite, que felizmente não se veio a confirmar, pese embora o alvoroço incrível, perante a execução monumental de Heartsink.

Saída breve para um triunfal encore, composto por Doesn’t Matter Much, Colours Fade e Count Me Out: objectivamente não por esta ordem: porque o incêndio ia já desregulado, depois de agradecimentos, promessas de regresso, e apresentação de canções com largo espectro de vida, num género onde a entrega e a genuinidade continua a ser a sua marca de água nestes dias: neste caso entregues a dois músicos talentosos.
Após a primeira canção Steven questionou se queriam mais uma duas e comunicou o constatado: prevaleceu a segunda opção.

Uns putos mesmo bacanos.

Com um triunfo merecido, ao alcance apenas daqueles que sabem para que isso aconteça.

Muito bom o concerto: dado por uns putos do caraças: ainda não lhes chamei uns sacanas de uns bacanos, pois não?

12 abril 2010

e vamos lá a partir aquilo tudo, mais logo? pode ser?

Até as sociedades mais primitivas admitem os seus loucos, 20100412



A esplanada do aquário não é sítio que se visite horas a fio sem um leitor de música atestado e um “moléchino” para escrevinhar.

Depois de um ano de 2009 que gerou alguns dos grandes discos da década, os três primeiros meses desta, apostaram em manter e até em exceder, o nível dos seus predecessores ( pelo menos nos domínios dos calendários que regem o tempo que teima em nos (des)orientar ).

Destacando-se um pouco de alguns outros - numa perspectiva alfabética da coisa - Album Leaf, Angus and Julia Stone, Balmorea, Beach House, Besnard lakes, Bill Callahan, Clogs, Cocorosie, Dark Dark Dark, Efterklang, Get Well Soon, Joanna Newsom, Kissaway Trail, Scout Nibblet, Seabear, Shearwater, These New Puritans, Yeasayer e, não tendo nada a ver com o isto, White Hinterland de 2008, apenas porque é um disco excelente que só este ano conheci e, porque a possibilidade de um elemento bardino integrar uma lista é sempre algo a não deixar escapar.

Sendo todos eles merecedores de escutas na íntegra, de qualquer forma aqui ficam amostras do fascínio que construíram.

Na franja da produção musical que insiste em se mover pelos territórios mais surpreendentes e estimulantes, da criatividade exacerbada, sempre sob a chancela da qualidade e do crivo de uma diferenciação que se baseia na excelência da composição, por aqui se alinham outras canções de álbuns que foram sendo referidos, com a preocupação de evitar a repetição de títulos de alguma – saudável – recorrência de autores.

Pontuando o esquecimento forçado da estruturação da apresentação dos nomes, Joanna Newsom, num período cheio de armadilhas, que as trevas ocultam, assina um álbum triplamente histórico; ao superar o que parecia impossível – mostrando um sucessore paraYs, verdadeiramente estonteante – a arriscar como só os génios o sabem fazer, ao editar um longuíssima metragem nos dias de hoje, elevando o seu nível como compositora e executante a patamares dos reinos das divindades, esfrangalhando as verdades absolutas da mitologia musical.

A restante gente, lembrou-se de brotar uma solução integrada: geraram um paisagem sonora; encheram-na; deram-lhes uma força motriz para planar; para exercer voo içado, ou quedas abruptas pela beleza íngreme dos espaços que deixaram escancarados e propositadamente receptivos, à queda sobre si, de sons (i)(e)ncantatórios que os contemplassem.

Uns alcançaram um estado de despojamento quase absoluto, todos são presentemente performers que se tornam translúcidos, na execução em exposição total, em respiração simbiótica com instrumentos e palavras, atirando-se à História deste ano e dos restantes, com unhas e dentes, de forma a lá ficarem cravados.

Hiperactividade de alguns deles, com um começo de ano sob o desígnio das aparições em palco, com a edição de registos que testemunham a vida que por ali passou, colecções de canções magnificas, interpretadas no limite; em carne-viva; sobre uma matriz onde se cruzam talento e marés sonoras, como de uma escala de cores por inventar e de tamanhos por definir se tratasse.
Com EP’s poderosíssimos, porque repletos de canções possuidoras de um valor intrínseco incomum, para o projectarem para uma obra de fôlego impossível de medir.

Não se vêm nas proximidades muitas mais canções que possam ser eleitas como tal, e matéria para as escolher não falta.

Observam-se vertentes épicas, de constelações do início das eras, arrasam alicerces, implodindo conceitos, surpreendendo de um modo incrível, até mesmo dentro de cada tema, na evolução de um álbum de que não se quer o fim da escuta e, quantas mais se fazem, mais absorvidos pela massa sonora, que se torna como movediça, somos.

Ao atropelamento sónico; pedidos de socorro tragados por desejos de audições sucessivas; costuma apelidar-se de viciante, certo?

Há minimalismo transposto para o decorrer destas dias, adocicado por vozes que ecoam quando se silenciam, por guitarras introspectivas ou deflagradoras de percussões orgânicas, a sobreporem-se ou a coexistirem com máquinas, que lançam orquestras, transformando esse caldo na reinvenção da Música Popular.

Sob a saborosa dificuldade da opção por exemplares de discos de muitos em 100 – como são o caso de todos estes – se por acaso quiséssemos enquadrar obras assim, em escalas demasiado opressoras para aquilo que representam e acima de tudo valem, sob um ponto de vista do atingimento de autêntico flow ao serem escutados.

Aqui ficam e podem ser guardadas, pequenas ilustrações do que podem encontrar na audição integral destes trabalhos soberbos.

01. Balmorea - bowsprit (CONSTELLATIONS)
02. Joanna Newsom - easy (HAVE ONE ON ME)
03. The Album Leaf - falling from the sun (A CHORUS OF STORYTELLERS)
04. Beach House - walking in the park (TEEN DREAM)
05. Scout Nibblet - cherry cheek bomb (THE CALCINATION OF SCOUT NIBBLET)
06. Angus & Julia Stone - big jet plane (DOWN THE WAY)
07. Kissaway Trail - beat your heartbeat (SLEEP MOUNTAIN)
08. Bill Callahan - rock bottom riser (ROUGH TRAVEL FOR A RARE THING)
09. Dark Dark Dark - wild goose chase (BRIGHT BRIGHT BRIGHT)
10. Efterklang - full moon (MAGIC CHAIRS)
11. White Hinterland - caliope (PHYLACTERY FACTORY)
12. Yeasayer - madder red (ODD BLOOD)
13. Cocorosie - R.I.P burn face (GREY OCEANS)
14. Clogs - on the edge (THE CREATURES IN THE GAARDEN OF LADY WALTON)
15. Shearwater - runners on the sun (THE GOLDEN ARCHIPELAGO)
16. Get Well Soon - voice in the louvre (VEXATIONS)
17. Seabear - fire dies down (WE BUILT A FIRE)
18. These New Puritans - white chords (HIDDEN)
19. The Besnard Lakes - light up the night (THE BESNARD LAKES ARE THE ROARING NIGHT)

10 abril 2010

07 abril 2010

LISA GERMANO & phil selway @ Porto, Casa da Música - 2010.04.07




















(post em construção; 23:56)

esta senhora exacerba o espanto de mim: que Magma, jísas!

(post em construção; 00:26)



the darkest night of all


(post finalizado; 02:46)

Casa da Música
Sala 2 ( com cadeiras! – desconfortáveis )
Praticamente repleta.
21:30 – 23:00

Sendo uma porção de vida, um concerto encerra em si um conjunto de situações das mais diversas que se possam conceber, no entanto há essa característica que os faz atingir uma dimensão que não é minimamente escalável: uma fluidez sanguínea que reduz a respiração apenas ao tamanho da palavra, retirando-lhe meticulosamente cada grão do seu significado.

Um concerto de Lisa Germano é a consumação de escutas intermináveis de uma discografia cuja extensão é desprezível.

Há uma quantidade de tempo ínfima atrás, Lisa Germano saiu do palco onde alavancada a um piano e a uma guitarra, socorrendo-se de uma voz que brotava palavras únicas numa sonoridade inclassificável, torceu um edifício.

Quando se pensava que fosse ruir, afinal iniciou a ignição, erguendo-se sobre si próprio, contendo quem, mais do que assistir a tudo isso, lá dentro – implodindo-se – se encontrava, agora, de facto, do lado de fora sem saber o que era chão, desconhecendo o que era tecto, vislumbrando um céu que não era mais do que o centro da terra; núcleo florido.

A estrutura rígida dos conceitos de inclusão, conter, estar; ser contido foi abalada com danos irreversíveis, sem direito a exigência de ressarcimento ao nível emocional, apenas a contemplação de desintegração física.

Lisa Germano é dona de canções de território vago, porque as oferece de forma desmesurada quando as toca e faz com que quem as escute as interprete também.

Há uma dança insuperável, vivida por mistérios insondáveis dentro de ondas sonoras que levam a um naufrágio desejado.

Há carne sobreposta; pele volátil; corpos dizimados; ossos tangíveis apenas com o olhar; passos mudos e abraços feéricos sob vozes que repetem o imperativo da falta de necessidade existirem.

Pode a simplicidade brutal destas composições caber num auditório?
Claro!
A beleza do que é simples cabe nos mais ínfimo dos espaços.
E como a escreve, toca e canta: à simplicidade.
Cabe em nós.
Por ser rara.
Por não estar ao alcance de todos.
O espanto perante o talento e o virtuosismo cadente.
O de Lisa Germano.
Que envolvida com o piano e a guitarra; como se apresentou desnudada, em desprotecção total, perante quem ousa intrometer-se no que é tão único: aquela voz solta entre os dedos que percorrem uma guitarra em soluços ou um piano em suspenso.
Lisa Germano poderia actuar em qualquer sala onde sós, estivéssemos, ou com quem que nos faz encontrar.
As palavras a ferirem a rotação do mundo com cordas e teclas, corpos em dança sublime, o olhar encontrado na penumbra, os beijos e abraços que em pé, na escuridão tão brutalmente podem ser trocados.
A essência do que escreve, a simplicidade que atinge nos temas de frágil complexidade é, a mesma que os que se amam procuram, descobrem e encontram.

A hora a que interpreta as suas canções é, como calculam redundante.
Assim como quem está presente, quem assiste ou faz parte, ou está em palco.

Desta vez a retoma da partilha de um projecto do início do século – 7 Worlds Collide, com fins beneficentes, iniciado por Neil Finn - foi o motivo para estar pela primeira vez no Porto.

Com Phil Selway dos Radiohead, David Coulter sentado com uma parafernália de instrumentos à mão de semear e Sebastian Steinberg em baixo amplificado e contrabaixo, apresentou-se com mais gente em palco, ao contrário da ultima aparição no Pequeno Auditório do Theatro Circo, em que se entregou só, às músicas fabulosas que compõe a sua obra.

O desenrolar dos temas teve uma divisão quase matemática por peças suas e pelas do álbum que Selway vai editar, depois de gravado com membros dos Wilco, Lisa e Sebastian e, embora privilegiando o último trabalho Magic Neighbor, as escolhas fugiram ao mais obvio e identificativo dos percursos, para arriscar com temas, que como referiu, executou ao vivo pela primeira vez.

Para a primeira apresentação de Lisa Germano no Porto, a espera não foi pacifica - de ansiada - a sagração e principalmente o retorno dela, poderia ser muito menos.
Assim que as mãos foram abertas, o encantamento por essas pérolas arrancadas do seu fundo iniciou-se precisamente com Pearls ( mais tarde na set list viu-se a alternativa Hardwood Floors: por mim tinha tocado as duas! ), onde a escuta DAQUELA voz a soltar:
“Falling fast
Raise your glass
Fill your open sores

While you last
Wear your mask
Wear it like it's real”
ameaçou detonação e cumpriu em pleno.

das teclas saiam os sons únicos, da voz, a sensação de a ter escutado ainda antes da nossa concepção, uma coisa inexplicável: pelo menos na parte que me toca.

Restantes companheiros de estrada, inertes, em silêncio, público em devoção: tanta que o curto espaço para a segunda canção da noite se mostrou demasiado imperceptível, de tal forma que apenas uma pessoa, timidamente e com diminuta duração, a aplaudiu, perante a hesitação geral se seria encaixado um tema no outro:
-Thank you! For you. In particulary: atirou de forma estrondosa!

O salto milimétrico para Dreamland, que aparece em Rare, Unusual, or Just Bad Songs foi a primeira grande surpresa da noite: excelente.

A In the Maybe World foi buscar In The Land of Fairies, adensando a cumplicidade e atenção dos restantes músicos em palco, pontuada por pequenos toques nas cordas do baixo e pelo atravessar da lâmina de uma espécie de serrote, com um arco mais usado em violinos e elementos da sua família.

The Prince of Plati foi o primeiro tema do mais recente álbum a ser ouvido, sempre com o piano “imitado” pelo sintetizador como base e a escuta de efeitos sonoros simplicíssimos a servir de fundo e com os restantes instrumentos: percussão, contrabaixo e berimbaus e serrotes em respeito sepulcral ou agitados em pequenas intervenções.
No pouco tempo em que se conseguia retirar os olhos dos seus gestos, era quase deslumbrante ver os rostos dos músicos que assitiam, também eles, à manifestação daquele fenómeno natural: música envolta em vida ou o contrário, não sei bem.

Sempre com pequenas descrições a pontuar o que seria escutado depois, numa comunicação escorreita, divertida e satisfeita pelo que ocorria em frente a um público que lhe guardava um respeito entornado sobre uma admiração profunda.

Antes de dar a primazia de cena a Phil Selway, From a Shell de Lullaby de For a Liquid Pig, a arrasar e, em que se ouve:
“From a little shell at the bottom of the sea
With the earth and the moon and the sun above
But the world fell down with some people still around

There is love
There is love
To be found
With the gods all gone and the souls making sound”
numa interpretação de cortar a respiração.

Muito comunicativa, leve, solta, assim como todos os músicos, que não se coibiam de responder às provocações uns dos outros e aos agradecimentos por estarem juntos nesta tour, que encerrava na Casa da Música, de uma forma completamente genuína, que os rostos por se escutarem e estarem envolvidos naqueles sons.

Phil Selway mostrou cinco temas do álbum que vai editar, com muita competência, trocando de guitarra a cada canção e obtendo a contribuição dos seus companheiros de palco de uma forma a roçar a genialidade, que só o talento permite: The Ties That Bind Us e Every Spit And Cough mostraram alguma qualidade, principalmente pelo excelente desempenho e sonoridade.

Até aqui Lisa Germano é imensa: em segunda – brilhante, não é demais referir – voz, guitarra, violino, flauta, é de facto impressionante o que solta.

Depois de um Phil Selway muito comunicativo, humorado e apresentando todos os músicos, o retorno às canções de Lisa Germano.

Quantificando em quatro os temas que iam ser desenvolvidos, de Magic Neighbor, acabou por executar cinco, com o silêncio cúmplice dos músicos e com a sua intervenção fabulosa sempre que se faziam escutar, fosse em que instrumento fosse.

Depois de Simple, A Million Times, e Magic Neighbor, muitos bons e em crescendo, em prestações irrepreensíveis, assim como a qualidade do som ao longo de todo o espectáculo, mais dois momentos enormes com Suli-Mon e Snow, devidamente sublinhados pela aceitação de um público contido mas absolutamente adivinhado em rendição.

Apresentações de histórias magníficas, principalmente a da versão da vizinha e dos seus gatos que deu nome ao álbum - ao menos isso – e que YEAH, sublinhou!, finalmente se mudou.

Sons dos arranjos completos por instrumentos em círculos, poderia ter suspendido a simplicidade sem a expulsar. As palavras, essas ficaram todas, agarradas às cordas e às teclas que em uníssono esbofeteou.

O objectivo de mostrar Magic Neighbor, foi atingido.
Foi daqui que caíram como folhas outonais, amparadas pelo vento de um piano e a ternura de uma voz, profundos, mas não comparáveis a olhares iluminados em leveza, dos amantes em perpetuação do encontro dos corpos, do uno em que se tornaram, na falta de luz que não se notava.
Olhos brilhando.
Entrega absoluta.
Dança!
Como se toca o amor?
Não surgiu If i think of love, sobrou um magnifico Electrified, de Slide, mais uma surpresa fantástica.

Longo aplauso: rendição incondicional: Phil Selway a não resistir a sublinhá-lo: reapresentando-a, jurando a pés juntos, sem tal necessiatr, o quanto é gratificante tocar, gravar e poder efectuar digressões com ela.

Depois de mais cinco temas do seu futuro álbum, que provocaram uma boa aceitação da audiência, mas a quem à maturação e corpo que de facto possuem faltam o rasgo, a devolver o comando das operações a Lisa que tinha continuado num nível impressionante, assim como os outros elementos durante o acompanhamento das peças, que Phil Selway não se cansava de elogiar, radiante com o que estavam a proporcionar.

Altura para agradecimentos a toda a equipa que os acompanhou e para lhes dedicar Party Time, que embora sendo um tema triste era para ser escutado como alegre: brilhante! E uma aparição de tosse absolutamente igonorada.

Humor exímio, é o que é.

Phil Selway a apresentar o encerramento, a concretizá-lo com uma canção desenvolta e a saída com longa ovação de pé e oferta individual de 4 rosas que os desarmou.

Regresso com as flores, numa demonstração de carinho, respeito e admiração por quem os escutou de forma religiosa e entusiasmada.

Interpretação do que garantiu ser o seu derradeiro tema para deixar o mérito e a responsabilidade do fecho a Lisa Germano.

E mais uma vez surpreendeu, correndo um risco enorme, porque disse que o tinha usado no sound-check e todos lhe pediram que a tocasse mais tarde.

Acedeu e esse lugar de ouro foi ocupado por um tremendo Except For The Ghosts: explosão de beleza, com o piano predominando sobre a guitarra.
Somos transportados para conversas sobre memórias, encostados a janelas entreabertas, difusoras de ruídos inertes das ruas abandonadas.
Os corpos secantes, os olhos em brilho intenso, os frutos partilhados, as mãos apertadas dizendo: estamos fundidos no que somos, no que buscamos, no que encontramos e vamos ser:

Wind chimes
Waves climb
Over and done
Heavy passing
Weightless and one
Alone in the sea
Alone in the sea
The deeper you go
The letting it be
Except for the ghosts
Except for the memories
Accepting the waves
And waving goodbye
Light soul touched and go
Waving
Waving
Waving good things

Inacreditável.

Muito ficou por tocar no alinhamento que durou uma hora e meia bem medida, para fecho bem podiam ter tocado a noite inteira.
Não lhe perdoo, nem a mim próprio.
Gostaria de lhe agradecer durante muito tempo.
Aplaudi-la até fracturar os pulsos.
Gritar-lhe!
Durante muito tempo!
Despedir-me e até dizer-lhe que a amo, sei lá!
Um disparate fodido qualquer!
Porque diabo teremos de morder a garganta tantas vezes?
Queria mais tempo: não assisti a um concerto: vi um ente querido.
Queria tanto mais tempo!
Assim como todo o tempo que merece quem se ama, obrigados a despedidas.
O tempo é mesmo vertiginoso.
Numa sala afinal, enorme onde no inicio de um mês em que o amor implodiu o ano, quando os beijos aceleraram os abraços e o movimento acompanhou o desejo.
E os rostos se acoplaram na luz inexistente.
Também seria excessiva.
O som: aquele som, daquela voz: a exposição de uma alma afinal com existência.
Sim, excessiva.
Como não o é aquilo que os dedos dizem quando se tocam.
O vento desvaneceu-se, a chuva recolheu-se: como são quentes as tardes noites de Abril.
Como conversamos sem nos vermos.
Como nos olhamos sem nos escutarmos.
A cumplicidade não está apenas entre um piano e uma guitarra que aconchegam uma voz que tanto aconchega.
Nem a simplicidade.
Apenas tu, Lisa.

Amei ouvir-te e ver dançar o teu rosto em brilho incandescente atirando teus braços ao som que emanas.

Aparece sempre: as tuas canções são também para mim.

Depois de uma setlist surrupiada onde antes esteve sentada, a visão de músicos felizes nos camarins com vista para a Rotunda bonita e com vista da rua para eles: arquitectura a permitir acenos retribuídos: muito bom!

Ao escutarem aqui The Darkest Night Of All – não escutada no concerto - fiquem com esse seu sussurro do inicio e do fim da faixa: “good night”.

04 abril 2010

Até as sociedades mais primitivas admitem os seus loucos 20100404



01 - The Durutti Column – sketch for summer
02 - Efterklang & The Danish Nation – illuminant
03 – Angus and Julia Stone – the devils tears
04 – Wild Beasts – two dancers
05 – The Earlies – one of us is dead
06 – Emerald Park – ume
07 – Kissaway Trail – painter
08 – Four Tet – angel echoes
09 – Pavement – grounded
10 – Grand Island - a crash and a faultline
11 – Arab Strap – not a quiet yes
12 – Marina And The Diamonds – obsessions
13 – Scout Niblett - yummy
14 – Juliana Hatfield – dear anonymous
15 – The Radio Dept. – domestic scene
16 – Lonelady - intuition
17 – King Creosote - nothing rings true
18 – Cocorosie – the moon asked to crow
19 – Twinemen – learn to fly
20 – Musee Mecanique – fits and starts
21 – Richard Buckner - town
22 – Jonsi – grow till tall

Povoamento sonoro gerado a partir de quartos onde desaguam as partículas que os gravadores captam; onde fervilham as ideias que agarram a concepção que vai ganhar dimensão fora dali: para ali voltar; onde as canções são sorvidas ou alinhadas para consumos incendiados; onde os beijos são tragados na dispersão da acuidade visual, de corpos que gravitam na órbita de mãos que abandonam cordas de guitarras e teclas de pianos em troca de encontros com cabelos que cedem a ondulação a vozes que estalam ossos e se redimem na percussão dos ventos abissais.

é o que existe nas passagens estreitas e no fundo tão vastas; íngremes entre cada canção que se aglutina na tabela - de perda periódica - de elementos que se tacteiam, no percurso demarcado por pele em combustão eufórica: fobia de espasmos; ânsia de acalmia de um mar que não se extingue.


Quando Pessoa aporta


“Acordo de noite subitamente.
E o meu relógio ocupa a noite toda.
Não sinto a Natureza lá fora,
O meu quarto é uma coisa escura com paredes vagamente brancas.
Lá fora há um sossego como se nada existisse.
Só o relógio prossegue o seu ruído.
E esta pequena coisa de engrenagens que está em cima da minha mesa
Abafa toda a existência da terra e do céu...
Quase que me perco a pensar o que isto significa,
Mas estaco, e sinto-me sorrir na noite com os cantos da boca,
Porque a única coisa que o meu relógio simboliza ou significa
É a curiosa sensação de encher a noite enorme
Com a sua pequenez”

E se encontram outras palavras por aí

“no quarto guardo
entre as redes
do silêncio
o vazio das gavetas
dos meus sonhos.
nas paredes
o sono calmo
esconde
no cheiro azul
do lugar
tempestades sombrias
em sons de asas
que ausentes
sorriem”

ou noutras onde se perde o espaço. (de Fernando Dinis???)

“O que murmuras no escuro?
Rosto colado ao vidro da janela - o olhar em suspenso no mar diante de ti -
a lua a molhar em fatias brancas a ondulação da maré cheia;
e todas as palavras a chegarem devolvidas do crepitar confidente da lenha.
O que murmuras nessa ausência que não entendo?
Se existe caminho a ti, então perdido estou.
E sinto-o: nas ruas da noite: no hemisfério da falta, pontos desconexos de procura.
Se as cinzas ainda nos afagam o rosto
- desse fogo que foi alma e desejo de outros anos -
porque afinal não entendo esse murmurar quase mudo,
embaciando o vidro da janela do teu quarto?
- Dorme!
Adormeço ou julgo que sim.
Queimo os minutos como se os tragasse, sentado na cama,
os pés nús recebendo o frio do chão,
o rosto consumindo-se num espelho fronteiro, linha fátua distante, quase ausente.
O silêncio é uma arca de segredos; vasculho instantes em que a voz
se perca a si mesma
e, o derradeiro escuro possa cair sobre mim, como um manto de retalhos:
os teus retalhos, as ofertas que me foram chegando de ti de um tempo distante,
onde nunca duvidei que seria este caos a herança.
- Rasga-te!
Os olhos um dia terão esta visão permanente de ausência,
toldando-os máximas avulsas,
como um velho alusivo a um passado que tem para contar:
que o manifesta em curso pelos outros - que teima em não esquecer.
- Escutas?
Serão estas as palavras que nos baterão à porta um dia mais tarde:
reclamando um espaço que afinal não temos para oferecer.
O corpo colecciona feridas - e nessa colecção contam-se as mentiras
e as fugas como possíveis curas.
As águas adormecem-me nas mãos em serena quietude.
O teu nome é liquido no poema em pedra que esculpo,
alta a febre em vários rostos onde rugas te denunciam;
os anos que ficaram por marcar neste fogo de perguntas
e prossigo indiferente à aparente loucura dos livros,
que teimam em filtrar o sentido das noites em branco:
quando os olhos não pendem para um sono próximo
nem gritam em vigilância pelos teus gestos.
- Agora vês:
a tua voz agora no movimento de dedos que sabem ver
para lá do que os céus nos segredam na linha imprecisa
dos lagos - e embalo-os em minhas mãos serenos
como teu nome remando ao longo de mim,
imenso - cá dentro dilantando veias
e alargando o anel desarrumado da vertigem.
Se meus braços os teus ramos fossem em flor.”

Para escutas posteriores em Mp3?