24 maio 2010

talento à solta: quinta-feira, na sala mítica





até as sociedades mais primitivas admitem os seus loucos 20100524



MP3

01 . Bernardo Sassetti - Passagens pela cidade - parte II
02 . Cowboy Junkies - Renmin Park
03 . Wolf Parade - Palm Road
04 . The Whitsundays - You Fell For It
05 . Phosphorescent - I Don't Care If There's Cursing
06 . Foals - This Orient
07 . LCD Soundsystem - All I Want
08 . Stephen Malkmus - Pink India
09 . Mark Lanegan - Hanging Tree
10 . Spoon - My Mathematical Mind
11 . Highspire - Sunraindown

23 maio 2010

joanna newsom . have one on me









Imaginem o melhor disco do ano escutado a partir de vinil sulcado.
Um álbum triplo atravessado por uma voz tremenda: instrumento transmissor de textos ouvidos como sagradas escrituras.
Um piano que roubou todo o espaço à sala deixando uma nesga absismal para a harpa.
Escutam-se ainda os sopros e cordas escalados num precisão emocional que só a composição estratosférica sabe alinhar.
Antecâmara da desintegração.
Obrigado.
Beijo.
( )

Sam Amidon . Wedding Dress

19 maio 2010

Micah P. Hinson - ... And The Pioneer Saboteurs - 2010


Não é que a secção de cordas, não fosse um componente de importância elevada, no desenvolvimento das canções de Micah P. Hinson, mas parece inquestionável que a sonoridade do tema de abertura de “… And the Pioneer Saboteurs” poderia provocar o omissão do seu nome a quem tivesse de arriscar o autor do que escutava, com uma venda nos olhos; sentidos despertos e activação de pesquisa alucinante, para agilizar resposta.

Afastando-se da sonoridade mais “country” e “americana” que marca de forma excelente o seu percurso a nível de edições, “A Call ro Arms” parte, voa e chega sem a voz de Micah – o que reforça a surpresa – sublinha a melancolia, torna a tristeza bonita e mostra a qualidade de composição de um classicismo, de um modo a que só os que o sabem por em causa e roubar-lhe tudo o que tem, o sabem fazer.

Despenhando instrumentos de cordas, sobre veredas onde se entrelaçam seres desse formato, até gerarem uma densidade sonora de alcance difícil a quem não se entrega ao seu movimento, somos postos perante uma surpresa tremenda e a aceder a um inicio de escuta de um novo trabalho, inquietante/desejado , no sentido do que poderá vir a proporcionar.

Dono de uma discografia exemplar, onde todos os álbuns são de uma qualidade extrema, Micah P. Hinson, aparece este ano a dar sequência a um disco de 2009, com versões magníficas de temas que desenharam algumas das grandes rotas da Músicas.
A "And The Gospel Of Progress" de 2005, sucedeu "And The Opera Circuit" em 2006, para em 2008 aparecer "And The Red Empire Orchestra".
Agora "And The Pioneer Saboteurs": uma marca de água de títulos, a que a génese de "All Dressed Up and Smelling of Strangers" escapou, talvez pelo facto das composições não serem de sua autoria.

A sua voz aparece, a definir o estado que devemos atingir, para a audição da segunda faixa do disco, “Sweetness” onde sobre um guitarra acústica dedilhada como um complemento a voz pede para ficar sob ela mas acaba por atingir um equilíbrio suspenso, como só a simplicidade das grandes canções permite obter: dois minutos de voz grave, harmonia e ocupação de espaços. entre as cordas da guitarra, como nos habituou ao longo da sua obra.

O salto curto para a terceiro tema, estende-se de sobremaneira, com uma produção exemplar, como inicio de guitarra em distorção, passagem de testemunho ao formato acústico e cedência de protagonismo a “slide” e convivência tripartida, para soltar a voz de acompanhamento, como um outro instrumento até fazer aparecer a sua, num lamento que desemboca estrutura caótica.

A voz não segue um percurso linear, as guitarras entreolham-se procurando descortinar a razão da presença dos coros que as enleiam, até às ameaças de explosão, retiradas de cena, para a aparição de novas texturas caóticas, serpenteando desde metade do tema, até ao arremesso de todas partículas que o compunham, convocando a secção de cordas, alongando o seu final, chamando e expurgando os elementos, sacudindo o chão até ao seu desaparecimento, dando conclusão; gerando espanto, pelo que se acabou de escutar.

“2s And 3s” reforça a inquietação, que sempre surge quando estamos na presença de um trabalho que ameaça ser impar: colecção de grandes canções.

Com “Seven Horses Seen”, Micah P. Hinson, regressa ao somatório de som, mais característico, tema mais curto, também, com guitarra acústica em percurso simbiótico com os violinos e a sua voz envolta, com uma segunda e uma terceira, ecos da sua, numa sobriedade de produção que destaca o protagonismo dos arcos sobre as cordas.
Em “The Striking Before The Storm”, o ambiente é como que enegrecido, apanha-nos descuidados, no sentido, em que a convivência de vozes em loop, com violinos mandões e ocupadores das posições de charneira do desempenho do tema.
Há uma elaboração que não se suspeitava e o desenrolar da acção, vai-nos engolindo quando pensávamos que lhe tínhamos escapado, para a percussão não dar clemência com os violoncelos a inebriar o tempo que restava à peça.

“The Cross That Stole This Heart Away” é uma faixa que nos deixa sem articular palavra.
À sua passagem, respondemos com o silêncio.
No término, a única reacção é o gesto que leva à repetição da sua escuta.
É um tema absolutamente incrível, uma das suas melhores canções de sempre, uma composição onde o fascínio é a nota dominante: duração longa que se torna curtíssima, tal a sensação que permite: prende-nos, torna-nos espectantes, a ver o que dali sai, até a sua voz aparecer soberba, apenas acompanhada pela secção de cordas, até regressar o manto instrumental que trouxe o tema até ali.
Dividem a área das coisas que enchem, sobrepõem-se mas a delimitar o espaço que as faz respirar: há uma cumplicidade que torna admiração e o resultado é de uma valia muito mais que respeitosa.

Quando todas as partes da canção são atiradas sem hesitação para a um caudal que as transporta, sem as engolir: as mantém-nas num estado de facto desintegrante: voz: percussão: teclas: cordas – rumo a um ponto que se vai vendo cada vez mais perto - final com trompete sobre distorção errante.

A acalmia do modo acústico, regressa com “My God, My God”, interrompida apenas pela gravidade da voz, adn espectral, a demarcar terreno sobre a orquestração lançada pelos instrumentos de cordas e por coros que se confundem com o piano, até deixar apenas as luzes acesas para que os dedos as apaguem depois de pousar a guitarra.

“Dear Ashley” é uma balada que desafia algumas convenções de forma magistral.
Os violinos vão-se espalhando por toda a canção e atingem pontos julgados inacessíveis, permitindo a ascensão conjunta da voz, guitarra e pianos, dispensando percussão, pois a elevação é designada como elemento neutro e, damos por nós numa planície sem nos apercebermos como para ali somos levados e, aí, sim, somos despertados pela percussão em tons suaves e sinalizadores do fim do caminho.

A electrónica dá as mãos a vozes e cordas soltas, para preparar a aparição de uma aceleração, cuja ignição é assegurada por guitarras livres, sobre um percussão sem dono que lhe deite a mão, perante a insubmissão da guitarra: a voz, narcótica sobre estruturas que se vão adensando lançando provocações sobre a dúvida da sua génese.
“Watchman, Tell Us Of The Night” é uma canção extraordinária, a confirmar Micah P. Hinson como um eleito: dos que sacodem estilos: abanam fundações, sendo de qualidade se tornam ainda mais fortes pelo grau de risco, toque de genialidade que está na mão de poucos e que é usada com brilhantismo ainda por menos que esses.

“Stuck On The Job” tem som de fundo para projectar a voz que chama e recebe reforços, dela mesma e, da guitarra acústica que se começa a tornar perceptível na exacta medida que o corpo que se desenvolveu assessorado em fragmentos electrónicos o permitiu: final de luxo, de uma balada belíssima, que recebeu a companhia de uma instrumentação esplendorosa, alicerçada em sopros de um contenção delicadíssima, exterminados apenas, pelo ecoar da programação de duração reduzida.

E “She’s Building Castles In Heart”?
Mais uma canção de finíssimo quilate, com alguma electrónica a pontuar a entrada em cena, de uma voz tratada por filtros que lhe torcem o rumo, até ao aparecimento de um órgão que permite o conluio entre a pequena orquestra de cordas e percussão distorcida e baixo omnipresente, crescente fértil, gerador de uma torrente que começa a mover-se imparável, sob as ordens de voz sobreposta a bateria, que apela a todos os outros sons e se deixa manter por lá: densidade emocional ou o contraponto entre uma árvore do diabo e o desprezo pela ausência brusca de um fumo de verão, de um dia diferente.

Micah P. Hinson, regenera a sonoridade da sua obra, confirma caminhos abertos, na experimentação de novas possibilidades contidas nos melhores momentos do anterior registo discográfico: corre riscos e não deixa a claustrofobia criativa apoderar-se da sua obra.

Para fecho, dá um tema com mais de onze minutos, em que o improviso e a distorção reinam nos primeiros sete: sonoridade pesada, estupefacção perante algo totalmente imprevisível de se pensar vir a reconhecer como seu.
Algum desconforto por não se lhe vislumbrar o fim, uma encenação de algo assustador: desvario?, eventualemente.
Até que irrompe o som similar da secção de cordas que provocou a surpresa inicial – regresso de um rio a quem acolheu o seu nascimento – fecho conceptual?, confesso admiração por este tipo de abordagem na criação seja do que for, principalmente no que à Música diz respeito: de ouvir com sorriso irrecusável: corpo cheio: espanto: reencontro.

Não é que a secção de cordas, não fosse um componente de importância elevada, no desenvolvimento das canções de Micah P. Hinson, mas parece inquestionável que a sonoridade de “The returning”, tema de fecho de “… And the Pioneer Saboteurs” poderia provocar o omissão do seu nome a quem tivesse de arriscar o autor do que escutava, com uma venda nos olhos; sentidos despertos e activação de pesquisa alucinante, para agilizar resposta.



Micah P. Hinson - A Take Away Show from La Blogotheque on Vimeo.

17 maio 2010

até as sociedades mais primitivas admitem os seus loucos 20100517



00. the chieftains - txalaparta
01. former ghosts - this is my last goodbye
02. agent ribbons - don't touch me
03. scout niblett - meet and greet
04. spoon - out go the lights
05. swans - trust me
06. gil scott-heron - i'm new here
07. azita - away
08. grizzly bear - i live with you
09. wovenhand - his rest
10. lilium - believer
11. roky erickson with okkervil river - think of as one
12. sofia tavlik - in the eye of the storm
13. lisa gerrard - sleep
14. erin lang - lightning
15. magnolia electric co. - little sad eyes
16. the chameleons - view from a hill

( para escutas em mp3 all over the road )

"sentaram-se nas cinzas junto à berma e olharam para leste, onde a silhueta da cidade se ia tornando cada vez mais escura, dissolvendo-se na noite que caía. Não viram luzes.
Achas que há ali alguém, papá?
Não sei.
Quando é que podemos parar?
Podemos parar agora.
No alto do monte?
Podemos levar o carrinho até aquelas rochas, ali em baixo, e cobri-lo com ramos.
Este é um bom lugar para pararmos?
Bem, as pessoas não gostam de parar no alto dos montes. E nós não gostamos que as pesssoas parem.
Então é um bom lugar para nós.
Acho que sim.
Porque nós somos espertos.
Bom, o melhor é não nos armarmos muito em espertos.
Está bem.
Estás pronto?
Sim.
O rapaz levantou-se e pegou na vassoura e pô-la ao ombro. Olhou para o pai. Quais são os nossos objectivos a longo prazo?, perguntou.
O quê?
Os nossos objectivos a longo prazo.
Onde é que ouviste isso?
Não sei.
Não, onde é que tu ouviste isso?
Foste tu que disseste.
Quando?
Há muito tempo.
E qual foi a resposta?
Não sei.
Bom. Eu também não. Vamos. Está a ficar escuro."

Cormac McCarthy - A estrada

16 maio 2010

Sopranos

Nunca se fez uma série assim.



Não sei se alguma vez se fará algo de similar: actores, personagens, realização, banda sonora, mas acima de tudo a história: o que se escreve: como se escreve: no fundo, o que está na base de tudo resto.

Abençoada invenção do DVD: pensei nisto agora: só hoje - não deve ter grande importância pois não?

A ver-rever-ver-e-rever-descobrir-redescobrir-conhcer-aprender-ser.

"Worldfuckin'class"

13 maio 2010

até as sociedades mais primitivas admitem os seus loucos 20100513

regresso ou acontecimento ligado ao que te encobriu?
o corte de passos contactáveis ou fendas a sucederem-se como páginas?
emissão de tumultos a céu aberto ou inquietação inerente a deusas sem sede?
não há respostas em apologias de tratados que te impedem devolvida a quedas sob a luz do fascínio nem nas pedras que mordo para que a tua casa seja contínua: não vês nada pousado na madeira que o medo não distinguiu.

resta o som do fogo preso pelos explosions in the sky, onde respiram os lambchomp depois de o gerarem.

A estadia dos good life prolonga a magnificência dos elbow e abre espaço ao fumo redentor deflagrador do espanto procurado; encontrado; escolhido, nos tindersticks.

a alucinação perante a espiral retorcida por julian cope: voz no lugar da manufactura clandestina dos arcos em chamas por onde passa, a serpentear em avanços de caçadora furtiva lena willemark com o auxílio de ale moller.

ao choque propagado pelos god machine - insurreição incontrolável - a flor ocultada por neko case, reflectida na dádiva anónima dos morphine: sussuro proibido.

m. ward a recusar sonambulismo e a exercer euforia em ressureição perante aromas da insubmissão à letargia: portishead a implodirem horizontes anteriormente dados como adquiridos: pó a aturdir cinza - ou o deslumbramento que só a desintegração proporciona.

migala na contenção dos recursos por desenhar, num mar superior, ante o colapso preparado ao mínimo detalhe pelos yo la tengo, alicerçados na fulmimante insanidade de porno for pyros, rumo ao pasto de chamas da casa erguida pelos waterboys: contradição escrita, para que as sombras se tornem possiveis: nesse lugar pagão, sem reserva ao culto do delirio: direito à ira cativada.




01-explosions in the sky - so long lonesome
02-lambchop - the new cobweb shop
03-the good life - night and day
04-elbow - red
05-tindersticks - my oblivion
06-julian cope - reynard the fox
07-lena willemark and ale moller - sven i rosengard
08-the god machine - alone
09-neko case - star witness
10-morphine - the saddest song
11-m. ward - to go home
12-portishead - cowboys
13-migala - fortune is show of our last
14-porno for pyros - porpoise head
15-yo la tengo - the race is on again
16-the waterboys - a pagan place

mp3 à disposição :)

obrigado pela escuta.

hasta.

12 maio 2010

até as sociedades mais primitivas admitem os seus loucos 20100512

( )





01 - the besnard lakes - like the ocean,like the innocent pt.1 the ocean
02 - the feelies - the high road
03 - other lives - black tables
04 - the magnetic fields - i don' know what to say
05 - pale horse and rider - stars
06 - king creosote - leslie
07 - jeff buckley and lyz frasier - all flowers in time bend towards the sun
08 - the clean - asleep in the tunnel
09 - young man - playtime
10 - anni rossi - air is nothing
11 - the beta band - simple esc
12 - yeah yeah yeahs - maps
13 - the go-betweens - spring rain
14 - pela - wai
15 - pearl jam - just breathe
16 - steve jansen - sow the salt
17 - broken social scene - worldsick
18 - hector zazou and lisa germano - indiana moon
19 - the pains of beeing pure at heart - gentle sons
20 - broken records - and they all feel into the Sea
21 - the cure - in between days
22 - lcd soundsystem - bye bye bayou
23 - sigur rós - hafsol

para guardar: em mp3

09 maio 2010

et por cause :)









(reprise)

Até as sociedades mais primitivas admitem os seus loucos.

Foi pedido em relação a esta sequência a possibilidade de captura de pelo menos algumas canções - por aqueles dias ainda não sabia como a permitir :) entretanto seguiu por mail: fica por aqui também à disposição - "eisía"!: para guardar.

06 maio 2010

Até as sociedades mais primitivas admitem os seus loucos 20100506








01 - Lisa Germano - Red Thread
02 - Cat Power - The Greatest
03 - Kristin Hersh - Your Ghost
04 - Aimme Mann - How Am I Different
05 - Laura Veirs - Fire Snakes
06 - Lyz Phair - White Chocolate Space Egg
07 - Shannon Wright - Rich Hum Of Air
08 - Anita Lane - The World is a Girl
09 - Basia Bulat - Once More For The Dollhouse
10 - Fiona Apple - Red Red Red
11 - Antje Dukevot - Scream
12 - Ainara Legardon - Weightless
13 - Anni Rossi - Wheelpusher
14 - Beth Hirsch - Silent Song
15 - Nina Nastasia - Whats Out There
16 - Emiliana Torrini - Birds
17 - Ute Lemper - Little Water Song

MP3 para guardar.

05 maio 2010

ode








( imagem daqui )


Provas a falta da membrana que outrora te cobria, a graduar a carne no asfalto ou na terra que se bateu, em incandescência; abdicas dos enviados ao trecho dos demónios, aí se tornam as estradas interrompidas para os corpos se extenuarem; ainda; mais: consumindo-se.

Há vinho tragado; declinado de mãos que sabiam que o néctar, em assumpção, só é transvasado por lábios que não se conheçam.
Apenas assim: quando a pele se torna eruptiva, tocada por mãos procuradas, decidindo-lhe a existência como inverosímil.

Fantasmas; monstros; criaturas saídas do sono, expulsas por documento régio, absolvidas por patriarcas da dor, que de mim te levaram: resististe-lhes: cedi – vendo-te – não os ordenar a retornar-te.
- Sabes: fazes-me falta - mentias, despudoradamente e preferias adquirir esse conhecimento trabalhando a soldo do que te negavas.

À ânsia por palavras que não deixei de dizer – garantidamente não tinha feito: ou comandar-me-ia a demência em ascensão: paradoxo inerente?
Talvez: como chãos que se desintegram; clareiras que te dilaceraram: não as preenches; não te absorvem, canções levadas: fugiram; com vozes sob o domínio do sonambulismo: sem pátria.

A semântica das cores aspiradas por ruas que me tracejavam a certeza de saber que não as tinhas percorrido, e que ainda assim lhes procurava atingir o fim contando contigo contida num dos seus elementos que ratificassem os teus passos: divindades da sedição rumo ao desassossego.

Como as cordas que te golpearam a memória sem marés que te devolvessem a olhos surdos; gritos que se desejavam lavrados pela agitação de sinalizadores da passagem de tempos onde o modelo de ardor atingisse a complexidade de seres em recessão emocional.

Requestar um santuário de felicidade acreditada, gangrena em evolução, repulsa por beijos no declive da asfixia: arribas condutoras a gargantas encantatórias: as serpentes esboçam espaços que de trilhos firmes apenas possuem luz ficcionada.

Querias-me lar e apenas me via nómada coberto de canções de vontades por determinar, não vias braços inertes nem infertilidade de ventos em cedência a chamas cuspidas por crateras que me engoliam: não se espalha sal no significado de mares espreitados com sangue derramado sobre um rio que te gerou.

Na cidade que se apartava de luz, era exalada a dúvida sobre que rua escolher – alas que se alongavam; sem controlo - o intervalo cedia ao rasto da tua passagem: não foi apagado por veículos opressores, agora elevatórios da esperança por um sorriso silencioso, porque por ali não demandaste na travessia pelos pólos que cativam o espírito sem possibilidade de ocultação.

Deito-me sobre o teu corpo e não te toco, ao olhar inclinado para trás nego o meu: vêm-se as serras que alcanço depois de te percorrer: vislumbras sol no cume: há os teus dedos no sopé: vincas-me: pregas-me o tronco e devolvo-te o espasmo: o grito aprisioná-lo-á: roubando a força com que o não consegui soltar.

Rodeiam-te as vozes, espelhaste-te no movimento fugaz que percorre vias comunicantes que me estagnam as palavras desejadas; escutadas sem fim e, que a velocidade dos recontros não dava tréguas, porque a resposta, essa, jazia adiada nos olhos raiados por sovarem muralhas que não lhes permitiam guarida.

A cada convulsão mais escondida te significavas: se uma chama se elevava, estéril se tornava, através do sopro, surgido num ápice que desfiava a gestação de fenómenos incontroláveis.

Transformava-se em oração, a falta da colisão fulcral das palavras que me dirigias, sobre o que por ti sentia: como se fertiliza a crença que não se quer agarrar?

Unkle - Burn My Shadow

02 maio 2010

"Even the most primitive of societie has an innate respect for the insane."

Até as sociedades mais primitivas admitem os seus loucos 2010.05.02



Para escutas "offline" em horizontes a definir: rumos activados em si: em MP3: descidos: ou respectíbu dónalding :)



01 - José Mário Branco- Abertura (Gare d' Austerlitz)
02 - The Antlers - Epilogue
03 - TV On The Radio - Wash The Day (live acoustic radio session)
04 - Yeah Yeah Yeahs - Little Shadow
05 - Unkle - Another Night Out (feat. Mark Lanegan)
06 - Nada Surf - Agony Of Lafitte (Spoon cover)
07 - Laura Marling - I Speak Because I Can
08 - Howe Gelb - Astonished
09 - Azure Ray - Nothing Like A Song
10 - Deerhunter - Saved By Old Times
11 - The Swell Season - Star Star (daytrotter session)
12 - CocoRosie - Sunshine (live version)
13 - Calla - A Sure Shot
14 - Richard Buckner - Count Me In On This One
15 - Cloud Cult - Everybody Here Is A Cloud
16 - Iggy Pop - Nice to be dead
17 - Nina Nastasia - Outlaster
18 - Danger Mouse and Sparklehorse - Grim Augury (featuring Vic Chestnutt)
19 - Gravenhurst - She Dances
20 - Get Cape. Wear Cape. Fly - Could've Seen It All
21 - Titus Andronicus - The Battle Of Hampton Roads