24 junho 2010

até as sociedades mais primitivas admitem os seus loucos 20100624

então porquê?
por onde voas?

agora estou a rebentar; inquieto: a lacuna na detecção de palavras torna-se uma letra de uma canção cantada dentro de um muro feito por mãos de lágrimas.

onde posso ir ter contigo?

há fogo fátuo por aí que me deixa apreensivo, menina do assombro e dos teatros do tempo.

a indolência extrema que impede o regresso, não é de exílios de flores ocultas que se move.

sabes que estou por a(qu)i: ao salto opõe o voo; ao fumo atravessado gela-o com o fogo alado: à tristeza desenha-lhe a teoria do sol que cabe na tua mão dormente que impele o alvoroço do teu corpo sem resguardo - amacia a espada, da maldição mágica da serpente marinha que traga o som que te acalenta.

não queiras ESTAR quando SER é o elemento base da composição que não obstas soar nas cores do amor louco.



01 pieter nooten : several times
02 trespassers william : untitled
03 xx : night time
04 local natives : stranger things
05 gun club : sex beat
06 !!! : the hammer
07 st vincent : actor out of work
08 wild beasts : this is our lot
09 lcd soundsystem : home
10 empire of the sun : we are the people
11 spoon : the mystery zone
12 the drums : it will all end in tears
13 the decemberists : yankee bayonet ( i will be home then )
14 zola jesus : night
15 wild nothing : chinatown
16 mark bolan and t rex : 20th century boy
17 the big pink : at war with the sun
18 spaceman 3 : how does it feel

MP3

22 junho 2010

Even the most primitive of societies have an innate respect for the insane 20100622

Gostava de retornar a casa.
Tanto.
Aí terminavam todas as suas viagens.
Recordava com particular relevância os regressos de noites que o enchiam e de como encontrava sempre estes nomes fundidos no som: a extraordinária aventura da voz baixa; bebida de um só trago.
Os abraços, não os sentia perdidos: via-os, como só a imprecisão emocional o permite, reflectidos no rio que espelha a cidade dos prodígios, onde plena, se tinha entregue ao seu tumulto.

Agora a sala exercia o direito ao princípio do terceiro excluído e subtraia-lhe também o segundo.

Aproximou-se da janela e abriu-a: perante os sussurros ecoados, entregou-se à sucessão de imagens que diminuem o conceito de vertigem, apenas possíveis pela forma como as vozes ocupam e libertam o espaço entre os irrisórios limites das memórias.

As palavras sobre a impossibilidade da descoberta teimavam em abandoná-lo.

“como encontrar-te?
- talvez pelo teu canto.
um estranho trilho de notas na água.

a deslizar pelas redes do silêncio,

deixas os teus ecos nas águas”

01 - One White Whale - Laurie Anderson



O álcool tornava-lhe os passos sinuosos mas a dança ágil e os restantes gestos subtis.

O fumo que a inebriou até aí, em conjunto com todos os corpos que a tocaram e que procurou, no expoente de sensualidade que não vacila, começavam agora a asfixiá-la.

A hipótese de libertação que procurou tornava-se mais um peso a juntar a todos os outros que carregava e que até aquele local a tinham levado: chão coberto de matéria viscosa de bebidas que se entornaram ao escaparem de ser engolidas, saltos sobre um solo avesso a suavidade a envolver o pensamento toldado por actos irreflectidos.

O som, potente e soberbo, entontecia-lhe os movimentos, turvava-lhe a visão mas sentiu-se impelida a esperar pela canção seguinte.

Ali se desenhava a melhor sequência de músicas da cidade, cantadas em coro abraçadas a danças ferozes sobre olhares vagos.

Antes de abandonar aquele que já considerava um templo, apelou à aproximação de mais um – seu – seguidor: qual sacerdotisa do despenhamento abraçou-se ao corpo que avaliou por instinto, aos olhos recusou alinhamento e apenas quis vincar o peito a um tronco procurado.
Ancas submissas a mãos a arder de desejo e pernas cingidas ao lobo insatisfeito com um trio de presas.

Buscava em espreitadelas fugazes a zona de saída na esperança de alcançar o par de olhos que lhe mordia o cérebro desde que o vislumbrou na primeira e em todas as vezes que precederam a última – sem acalento provável – que lançou a partida.

Negou-se à visão e beijou a conquista do momento – presa devoradora do perseguidor – apenas o gáudio perceptível nas proximidades do território que demarcou a impediu de o arrastar para o chão.

A música tornava-se orgânica; de facto impressionante e, a canção próxima dos elementos enviados pelo compêndio das regras do inverosímil.

No ápice em que se volatilizou à companhia agora em agonia, se entregou sem corpo à alma de uma voz que conduzia guitarras a um pasto de chamas em colapso.

O choro, esse apenas foi albergado à distância: leitura de lábios sob a árvore do diabo.

À encenação da fuga respondeu com o vigor com que se calcorreiam as ruas esguias que perturbam a serenidade do espírito.

02 - Let The Bells Ring - Nick Cave And The Bad Seeds



- Gosto de estar deitada sobre este chão: a madeira acolhe-me a pele como envolvo as rugas dos frutos.
- Queres que te cubra?
- Não: não tires o braço debaixo do meu pescoço: gosto desse lado da minha face a tocar o seu prolongamento até o queixo o tocar também.
- Posso continuar a contar os ramos que chamaram o inverno a estas àrvores que nos espreitam?
- Claro: a tua cabeça nos limites da inclinação e imaginar os teus olhos a içar o formato do teu rosto, para alcançarem o que os enche, só me faz desejar que o faças.
- A perda das folhas tornou-os brilhantes: a desprotecção far-nos-á crescer ou a dor consome até à exaustão?
Quem reinará nos seus intervalos: ventos da inquietação; desassossego de corpos cegos ou os teus dedos tentando uni-los, procurando a omissão da orfandade das querelas que convocam tempestades que te levam?
- Soltas tantas questões, que me apetece beijar-te para as agarrar e poder devolvê-las no que me permites sentir.
- Os sentidos não permissões nem dádivas de flor ocultas no desprezo da luz. Nada do que sentes é permitido por mim: é o teu recurso vital: o império de sensações que expandes e espalhas sobre mim.
Desta dezena de ramos - posicionados no flanco sem localização definitiva - quantos serão os guardiões de ti, que se degladiam com invasores impiedosos e, tornam leve a deslocação do ar?
- É magnifica a forma como expões as gravuras desses seres que te levam a atenção.
Com isto nem me apercebi que a canção terminou: roubas-me a percepção dos dias e amo isso.
- As canções não terminam: muito menos esta que traz o teu nome em cada pausa.
- E põe o teu perto das minhas mãos quando te trago.
- “Like the leaf clings to the tree,
Oh, my darling, cling to me
For we're like creatures in the wind,
and wild is the wind”
Há tréguas mistificadas.
Nunca os olhos estiveram assim acesos: dançamos agora?
- Outra pergunta: é bom!: - sim, dançamos, desde que me ames: desenfreado: sopra-me.

03 - Wild Is The Wind - David Bowie



Os joelhos paralelos ao solo.
Os braços elevados e a cabeça forçando ignorá-los: olhos cerrados, imaginado ombros a desintegrar-se.
Sorriso digno de jurisdição sem fronteiras.
Dentes apertados até à exaustão e acompanhamento aleatório das linhas da letra e bases de guitarra da canção até a pele se abrir e dar lugar ao sangue nos dedos que rasparam sem descanso a ganga suja.
A percussão balança o corpo e o triunvirato do tronco, pernas e braços procura trazer a explosão à cabeça.
O baixo teima em perfurar as ultimas defesas e socorre-se das guitarras e vozes de apoio em alvoroço.
Mais que caminhar para o fogo ele deslocava-se com ele na imprecisão de destino a atingir: guitarra de um povo sem necessidade de líder para a travessia aberta a bisturi: alegoria de casas a desabar à sua chegada.
A um dia diferente gerou a sobreposição de uma noite escavada a pulso contínuo até ao templo dourado de injúrias perante a veemência das matérias – carne; sangue; gargantas rasgadas - em combustão.
Joelhos elevados: ordens marciais internas: directas a ideias que já não conseguiam ser alinhadas.
Trouxeram-lhe outra cerveja e o delírio não pediu consentimento para dirigir cada gesto que exigia salvo conduto para um poço onde só o fogo reinava: a cada ano de solidão cantou a migração de espécies: à tentação da morte enviou a eternidade do rosto que não ardia.

04 - Dig For Fire – Pixies



Ao modelo portátil de leitura de cd’s ofereceram cada uma das mãos.
A noite tinha-lhes feito o mesmo com o dia e aquele fim de tarde agarrado no meio dos pinheiros apresentava-se mítico.
Ouviam música feita para grandes urbes mas os dedos a tocarem-se com o que sobrava da envolvência ao pedaço mágico que lhes dava os sons de um desprendimento que não conseguiam dar dimensão.

Tinham caminhado muitas horas nesse dia: junto ao mar, por entre corpos entregues a um sol que não tinha nascido para conceder clemência.

Depois de bebida a água da mesma garrafa ao sorriso devolveram castigo e à transfusão dos lábios tinham ido buscar alimento para a epopeia das brasas de uma manhã que lançou braços à volta de um corpo sedento deles.

A rede que unia os troncos das árvores, paralela ao chão de terra perfumada, suportava os seus, cada vez mais próximos, no desenrolar do que pareciam as últimas forças.

À elevação do ritmo que permitia a deslocação das mãos sobre os corpos, simétrico sem o recurso de jogos de espelhos que definissem a linha da separação das águas: fulcro de choques onde o desejo desenhava rumos.

As batidas que sussurravam nas cordas apenas aceleraram a fusão dos corpos e dilatação das vontades: ao som do vento que adormecia a noite e que a eles lhes fez o mesmo: até ao despertar das guitarras.

05 - Unwind - Sonic Youth



Levaste-me no teu dorso, em voos
cíclicos sobre mim.
Entre as mãos colocavas-me
as manhãs gloriosas de brilho.
As canções que se sucediam na
aleatoriedade dos sentidos, precipitavam-se
das sombras das montanhas diferentes.
O mistério assumia o meu dia, tornavam
a negra noite clara, antecipando
todas as madrugadas.

A descarga da vivacidade
em que o teu espírito dança - cavalo alado -
inclinou-me para a queda.
Porque não regressas a mim?

Sou agora um fantasma nos céus:
não é assim tão duro, é terrivelmente pior!
Questionar-me onde voas; sentir o gelo
de ventos que não sopram e o céu
que de ébano pintam.
Mas que não ocultam o brilho dessa face
que desejo saber a radiar.
E quando os olhares se alinham, a
incerteza e tremura que apresenta,
todos os sentimentos quer tocar:
vestígios da busca dos contos escolhidos.

A descarga da vivacidade
em que o teu espírito dança - cavalo alado -
Inclinou-me para a queda.
Porque não regressas a mim?

Sou agora um fantasma nos céus;
por aqui vou esperar que paires.

06 - Morning Hollow – Sparklehorse



porque será o tormento cíclico? porque viajo e perco a trilogia dos sentidos que declinaste sobre mim? não encontro a tua voz: faltam-me os teus ombros, dizer-te o meu amor por ti, em permanência: no interior de um circulo perfeito.

07 - Perfect Circle - R.E.M.



DAQUI



08 - Nostalgia - David Sylvian



Estava exausta.
Ele não sabia sequer se ali estava.
A mais uma repetição da canção debitada sobre eles, a única definição de local geograficamente representável era a respiração simbiótica.
Havia muitas perfeitas: esta era encantatória: acalentadora.

09 - No Surprises - Radiohead



“dizem que a paixão o conheceu
mas hoje vive escondido nuns óculos escuros
senta-se no estremecer da noite enumera
o que lhe sobejou do adolescente rosto
turvo pela ligeira náusea da velhice

conhece a solidão de quem permanece acordado
quase sempre estendido ao lado do sono
pressente o suave esvoaçar da idade
ergue-se para o espelho
que lhe devolve um sorriso tamanho do medo

dizem que vive na transparência do sonho
à beira-mar envelheceu vagarosamente
sem que nenhuma ternura nenhuma alegria
nenhum ofício cantante
o tenha convencido a permanecer entre os vivos”

( al berto )

- obrigado por a leres: na tua voz ganha sempre um som diferente a cada passagem.
- é um pouco triste: fico com voz embargada: dificulta-me a chegada ao ponto onde termina: chego lá exaurida.
- não é triste: é bonito: e exaurida para além de me soar bem é um estado que te deixa cheia, ou não?
é de vida que se trata.
- sim: a força das palavras é devastadora, mas há como que um fim pesado.
- é de vida que se trata.
- abraças-me?
- porque choras?

10 - Shine a Light - Spiritualized



Tudo o que toco extermina-se.
Perder-te, era apenas mais um exemplar desta enciclopédia da constatação.

11 - Close Watch - John Cale



- “Estás mesmo a deixar entrar em ti todo este som.
Observava-te a dançar quando me dirigia ao bar e comentei comigo mesma: não precisamos de mais ninguém quando estamos com a música, assim, como aquele gajo ali está, daquela forma com a música.”
- Porque escreveste no telemóvel?
- Porque não te conseguia dizer isto: não conseguias ouvir, ó tono!
- O quê?
- Vês: tono do caralho!
- O quê?
- Dass: “Porque não te conseguia dizer isto: não conseguias ouvir, ó tono!”
- Ah! Ya! Tens razão!: já me deste um beijo hoje?
- O quê?
- Já me deste um beijo hoje?
- Gritado assim ao ouvido e puxares-me assim para ti, ainda me dás um filho.
Não, nunca te dei um beijo: hoje não sei se já terei dado: ah ah ah.
Vou pedir ao dj, Nick Cave: qual queres que peça?
- Ah: e eu não danço: abano-me para aqui.
Não faças isso: ele é um druida: de certeza que roda não tarda.
- A Deanna?
- Espero que não: esta merda ainda vem abaixo!
- Ya! Vou lá pedir: costumas falar assim tão próximo: a tocar nos braços?
- Não: apenas com mulheres e quando há dificuldades que impeçam que me escutem, como a música a deflagrar, como agora.
Já me deste um beijo hoje?
- Ok.
( )
- Eia!
- Vou pedir Nick Cave.
- Ele há-de soar: easy.
Aguenta um pouco.
Vais ver que a seguir a Smiths o man atira Iggy Pop.
Táu.
- Fuck! Como sabias?
- Já me deste um beijo hoje?

12 - The Undefeated - Iggy Pop



- Deixa-me mostrar-te uma canção fenomenal: uma letra que já não pensava ser possivel aceder, numa voz que nos arranca do chão: uma composição que estava por aí perdida: já tem uns anos, represente isso lá o que representar.
- …
- e
- é.
- és.

13 – What Of Me – Trespassers William



- Incrível a quantidade de vezes que escutamos esta canção, deitada sobre ti: a respirar-te.
- Os números aplicados a uma quantidade única de sensações que atravessam acontecimentos destes não têm necessariamente de possuir uma dimensão: ficam-se por uma contemplação concreta.
- ( )
- ( )

14 - Ára Bátur - Sigur Rós



AFINAL A LENTIDÃO DO CARREGAMENTO DA PÁGINA NÃO ERA DO OBJECTO COMPLETO NEM DA POSSIBILIDADE DE O GURDAR: "eisíos" :)

( e reactivo o pedido de formação em pódecástes e de apresentação de candidatiras de vozes para os mesmos )

mp3


17 junho 2010

JísasFaquingueCráiste










(para a mariana)

Como mandam as regras do bísínéssse do contrabando emocional, depois de me fazerem chegar "what of me", encarreguei-me de o espalhar por quem estava ao alcance e o sabe captar.

Trespassado é uma palavra poderosa: depois de 24h nesse (sob)estado pelos Trespassers William (aleijados de bons, acreditem) o poder da descoberta do seu primeiro álbum, o mais difícil de encontrar - lá iremos, lá iremos: ponto de partida de um trilho que é uma colecção de canções de estalo gerada por Matt Brown e Anna-Lynne Williams nos últimos anos e, eu a militar na ignorânssssssia (fica uma "sociedade" inteira em falta para esta gente) - num local onde me deparei entretanto com isto:




tudo isto depois de agasalhar "o outono em pequim" de Boris Vian, reeditado, quem sabe com o único propósito de ocupar novamente o lugar deixado livre por um gamanço prepetrado há umas calendas.

exercer o sono devia de ser algo de metafisicamente semelhante à relação da garganta dos camelos com a água: de longe a longe.

muitas ocorrências para um (insano) dia - 16 - só :)

a escuta de um dos temas - apenas porque era o que rodava enquanto aqui estive - de alguém que inspirou a execução de uma edição que não vai tardar.

13 junho 2010

até as sociedades mais primitivas admitem os seus loucos 20100613

01 fred frith : on or in the wing
02 the decemberists : sleepless
03 low and springheel jack : so easy so far
04 the fall : C.R.E.E.P.
05 iggy pop : the passenger
06 the strokes : someday
07 mumm-ra : she's got you high
08 sharon van etten : holding out
09 i am oak : yojihito
10 florence and the machine : blinding
11 charlotte gainsbourg : voyage
12 portugal.the man : mornings
13 love of lesbian : te hiero mucho (historia del amante guisante)
14 the drums : me and the moon
15 black lips : starting over
16 the tindersticks : tiny tears

em mp3

e já agora para escutar aqui.

a não perder por nada

Há acontecimentos que são inimagináveis: por mais irrigadas que sejam as paisagens cerebrais por inimagináveis raios de luz da cor invisível inimaginável: só indo.

Paris, a 21 de Junho de cada ano.

Já estiveram numa noite de S.João?
- não tem nada a ver :)!

Sons em todos os cantos: transportes praticamente gratuitos um dia inteiro.

Paris a arder com milhões de pessoas nas ruas repletas de sons do mundo inteiro e arredores.

Monumentos abertos: com música lá dentro.

Qualquer semelhança com vida não é mera coincidência.

Voem até lá para voarem lá um dia inteiro.

Não se preocupem com alojamentos: não fazem falta para nada.

Passe o exagero, claro :) (para clicar)

08 junho 2010

até as sociedades mais primitivas admitem os seus loucos 20100608



01 tortoise . the fall of seven diamonds plus one
02 wilco . solitaire
03 tex la homa . either way
04 the flaming lips . silver trembling hands
05 simple minds . hunter and the hunted
06 okkervil river . willow tree
07 morphine . the night
08 sufjan stevens . the star / spangled banner (Live)
09 the boy least likely to . when life gives me lemons i make lemonade
10 pavement . the classical
11 the beta band . gone
12 bonnie 'prince' billy . death final
13 ruby throat . salto angel
14 yo la tengo . did i tell you
15 radiohead . nude
16 the decemberists . the wanting comes in waves (Repaid)
17 johny cash . redemption day
18 mark bolan and t rex . children of the revolution
19 swan lake . a hand at dusk
20 test department . victory
21 explosions in the sky . memorial
22 bonnie 'prince' billy . i see a darkness (@ teatro aveirense)

Para escutas fora do mar superior.

(Songs Of Devotion) Tindersticks . No Man In The World



desta vez live in london





Seems like so long ago now

But I can still remember those feelings

Of being left alone with myself

Sitting in the garden

Watching our house burn

Knowing I couldn't help it

It always had to end in a big statement like that

We were always so intense

Out of control

We never understood what we had

Never knew how to deal with it

Always tearing at each other

The violence and the shame

Banging my head against the wall

Wanting to explode


And it was my idea

And I put you there

I lied and said I didn't want you

You were running to someone else

Breaking the spell

Being able to see me for what I really was

And then the flames


Wanted you

Make me feel like no man in the world wanted you

Still feel the flame

Still feel the cold

Still feel the flame

Gets so cold around the stove

They still reach for me

Where you gonna go now

They still reach for me

Where you gonna go now


Made you feel like no man in the world wanted you

Made me feel like no woman in the world wanted me


Still feel the flame

Some days it seems I've left those feelings so far behind

Still feel the cold

But they're always there, waiting


Still feel the flame

Tempting, trying to release you

It's so cold around the stove

Don't believe, don't cherish your pretence

They still reach for me

You strike a match

Where you gonna go now

The thrill of having nothing

They still reach for me

The smell of the flames

Where you gonna go now


Made me feel like no man in the world wanted you

Made me feel like no woman in the world wanted me

07 junho 2010

graças a um comentário

e obrigado a quem capturou as imagens perante o zelo existente :)

até as sociedades mais primitivas admitem os seus loucos 20100607



Não consegui o mp3 de Victory dos Test Dept. para rodar a seguir a Billy Bragg.

Entre descobertas e regressos, o poder do som, também para guardar em mp3.

01 Billy Bragg - Tender Comrade
02 Violent Femmes - Add It Up
03 A Silent Film - You Will Leave a Mark
04 Au Pairs - It's Obvious
05 Bauhaus - Kick in the Eye
06 Wild Notihing - My Angel Lonely
07 Club 8 - Shape Up!
08 The Pixies - Monkey Gone To Heaven
09 Midnight Juggernauts - Into The Galaxy
10 Serafina Steer- Shut up Shop
11 John Spencer Blues Explosion - Mean Heart
12 The Whip - Trash
13 Young Gods - Kissing The Sun
14 Au Pairs - Come Again
15 Wild Nothing - Chinatown
16 Junip - Rope and Summit
17 Tindersticks - Raindrops (live in london)

Bonnie "Prince" Billy @ Teatro Aveirense - 2010-06-06 (e 7!)

Imaginem um concerto cheio: músicos de calibre sem dimensão e um génio à solta.

Procurem dar um pouco mais de espaço à excelente surpresa causada por uma primeira parte com predomínio para Susanna e para os Susanna como muito bem referiu.
Voz fantástica numa cumplicidade que atravessou toda uma apresentação, em que quase de tornou imperceptível a fronteira entre os autores.

Arranjem uma pausa para forçar a escuta de um guitarrista - Emmett Kelly – virtuoso, com voz de um nível superior, que permitiu liberdade a Bonnie “Prince” Billy, para exercer durante todo o espectáculo uma espécie de aula de aeróbica, de um pinguim laranja e azul claro – assim se apresentou – desengonçado, numa prestação vocal absolutamente sublime.

Consigam, já agora, elevar o valor de um álbum com um crescimento brutal ao vivo e supor uma homenagem à música americana, prestada por um intérprete que é já um dos seus expoentes: exposto através de histórias cantadas por uma garganta em chamas e transparência abismal.

Depois de uma hora de deleite e num regresso ao palco em que se pediu o que parecia desajustado para aquele momento – “I See a Darkness” - após mais alguns momentos excelentes proporcionados por grandes canções, assiste-se a algo que desafia toda a imaginação que possam ter: o que foi presenciado tornou-se inverosímil mesmo depois de assistido.

Susanna abandona o palco discretamente, o baixista segue-lhe os passos, Bonnie “Prince” Billy - de costas para a assistência que encheu a plateia de um local que se afirma - e Emmet Kelly trocam algumas palavras, a guitarra acústica é desligada.
O silencio começa a dominar uma sala que vê o cantor a deslocar-se para o canto do palco ( o direito para quem está lá em cima ) onde não há amplificação.
O guitarrista coloca-se um pouco para lá do meio da linha invisível que o divide o solo que iria desaparecer como praticamente todo o restante: talvez por isso durante a escuta do tema se tenha afastado até ao polo oposto: é de um mundo diluído que se trata, sob uma voz impressionante.

Essa voz, a de Bonnie Billy, a que começa a encher tudo o que é intervalo entre limites que se desvanecem perante a respiração: Emmet ajuda à implosão, alternando as estrofes inicias de um texto de magnitude única.

A guitarra desligada assoma um poder indescritível, a voz de Bonnie Billy sem microfone ouve-se nos recantos daquilo que somos.

O imenso silêncio das ínfimas pausas é apenas cortado pelo choro - que em alguns casos é convulsivo - e pelo sussurrar caracteristico de lágrimas despenhadas por rostos incrédulos, de uma audiência cartografada na ponta de uns dedos invisíveis: vacilante na definição de um ente colectivo ou um ser indivisível, porque se fragmentou e nesse preciso instante, já ninguém sabe se está sentado: a torrente que desfaz a sala é impossível de medir a não ser a alma nua.

Somos levados a acrditar que há momentos que não são possíveis de descrever nem de imaginar.

Felizmente que existe alguém que os tece assim: os faz.

Ainda bem que pediram a puta da canção.

Na religião dos magos, Will Oldham recusa o papel de Deus: é apenas um elemento absorvente da desintegração.

Ao que se assitiu? A algo um bocadinho belo: muito: quase demasiado.

Não se escutou uma canção tremenda nem se viu uma execução brilhante: obteve-se uma dádiva em que os segredos da química e a análise dos efeitos surpreendentes da física se renderam ao mais belo dos sentidos: o inventado: o gerado por um músico que espero bem que tenha percebido o que mostrou neste momento e o tenha conseguido avaliar: é que eu não: nem quero.

03 junho 2010

até as sociedades mais primitivas admitem os seus loucos 20100603



Dance motherfucker dance: and fly.

01. Michael Nyman - A Watery Death
02. Micah P. Hinson - The Cross That Stole This Heart Away
03. Dum Dum Girls - Rest Of Our Lives
04. Warpaint - Elephants
05. Joy Division - Shadowplay
06. The Cure - In Between Days
07. New Order - Love Vigilantes
08. The Smiths - Bigmouth Strikes Again
09. Fever Ray - Keep the Streets Empty For Me
10. Ornatos Violeta - Ouvi Dizer
11. The Breeders - Cannonball
12. The Soup Dragons - I'm free
13. Nick Cave - Brother, My Cup Is Empty
14. EMF - Unbelievable
15. Pulp - Common People
16. Ornatos Violeta - Chaga
17. Led Zeppelin - Whole Lotta Love
18. Britt Daniel - Everything At Once
19. Arcade Fire - No Cars Go (bbc maida vale studios)
20. Eels - Tremendous Dynamite
21. The House Of Love - Shine On
22. Interpol - Slow Hands (britt daniel mix)
23. The National - Bloodbuzz Ohio
24. Le Loup - Go East
25. Fanfarlo - Comets (itunes session)
26. The Doors - When The Music's Over

mp3