30 julho 2010

José Tolentino Mendonça

depois de uma viagem por itália

uns dias pela

casa do tiozão onde se tropeça em coisas assim:


A mulher desconhecida


"É muito bela esta mulher desconhecida
que me olha longamente
e repetidas vezes se interessa
pelo meu nome

eu não sei
mas nos curtos instantes de uma manhã
ela percorreu ásperas florestas
estações mais longas que as nossas
a imposição temível do que
desaparece

e se pergunta tantas vezes o meu nome
é porque no corpo que pensa
aquela luta arcaica, desmedida se cravou:
um esquecimento magnífico
repara a ferida irreparável
do doce amor"

e

Concerto dos Tindersticks


Impossível dizer até que ponto
a rapidez de tudo
atinge as passagens na sua certeza
o significado dos instintos
desde muito cedo
os modos de travessia, os receios
imagens em que não pensamos

pela noite tua voz descreve
isso de nós que não tem defesa
um amor
largado às sombras, irreconhecível
até de perto

dizem que se tratou de
derivas, ingenuidades, ilusões
o teu amor é um nome qualquer
que parte"

29 julho 2010

roma / florença / siena: indimenticabile

































"Nenhum corpo é como esse, mergulhador, coroado
de puros volumes de água.
Nenhuma busca tão funda, a tal pressão,
como pesa na água uma ilha fria,
a raiz de um ilha.
Uns procuram ramas de ouro.
Outros, filões de púrpura unindo
sono a sono. Há quem estenda os dedos para tocar
as queimaduras no escuro. Há quem seja
terrestre.
Tu esbracejas entre sal agudo.
Não falas, mal respiras, moves-te apenas
e fulguras
como uma estrela cheia de bolhas.
Feroz, paciente, arremetido,mortal, centrífugo.
Com todo o peso do coração no centro."

(herberto helder)

13 julho 2010

uns grandessíssimos bacanos: MBARI música

B Fachada : Há Festa na Moradia ( mp3 ) e capa.

a acompanhar (website).

até as sociedades mais primitivas admitem os seus loucos 20100713

O facto do mixpod ter deixado de funcionar motivou a recuperação destas canções fabulosas, alinhadas agora nesta sequência, com ajustes de títulos mas não de autores: excepção para a inclusão do indicativo que abria o “até as sociedades…” quando pertencia às ondas hertzianas, antes da migração para o mar superior.

O âmbito deste post é o mesmo que o do momento em causa: tributo à missão de divulgação, exercida por António Sérgio: canções que têm percurso linear e no fundo sem nada que as distinga: a excelência não se compadece com circuitos alternados.

“onde pára o Outono?”



01 Love And Rockets - Angels And Devils
02 Sonic Youth – Antenna
03 Lhasa – Rising
04 Heartless Bastards – The Mountain
05 The Low Anthem – This God Damn House
06 The Decemberists – Sleepless
07 Laura Gibson – Shadows On Parade
08 Micah P. Hinson – In The Pines
09 Why? – The Blackest Purse
10 Yo La Tengo – More Stars There Are In Heaven
11 Joan As Police Woman – Keeper Of The Flame
12 The Big Pink - Velvet
13 M. Ward – Oh Lonesome Me
14 Lightning Dust – Take It Home
15 Archive – Chaos
16 Grizzly Bear – Two Weeks
17 The Airborne Toxic Event – Sometime Around Midnight
18 Cass Mc Combs – You Saved My Life
19 Beirut – Mimizan
20 Elvis Perkins – Chains Chains Chains
21 Rodrigo Leão & Stuart Staples – This Lights Holds So Many Colours
22 Fanfarlo – Comets
23 Soulsavers – Some Misunderstanding
24 The Pink Mountaintops – Closer To Heaven
25 Tiguana Bibles – Lost Words
26 Noah And The Whale – The First Day Of Spring

Ah: Don't "press the eject and give me the tape": press play - with fire.

MP3

três cantos

05 julho 2010

que tosta! ( quanto mais escuto Trespassers William menos consigo escolher o que sobre eles quero fazer!)

Estando o Porto sob o efeito de temperaturas saharónicas, os acontecimentos sem qualquer ponta de explicação podem suceder-se a um ritmo avassalador; os pensamentos podem nem sequer espreitar da nascente, quanto mais atingir o cume do deslumbramento.

Talvez por isso se justifique o acolhimento a mais uma birra de joão moutinho, desta vez com aval do rui santos, qual autor da alegoria da verdade absoluta e rastejador aos pés da Imaculada Serpente dos Mares Insubmissos.

A tia do zebedeu que tem um quintal com uma “rélba” world class, tem lá espalhados uns anões e um dálmatas de louça e, para tentar levantar a moral ao miúdo vindo do reino dos algarves, organizou uma sessão de francesinhas e de fútenaérba para o moço e, não é que não lhe bastando perguntar onde estava a colher para o creme de marisco ainda se atirou a rebolar para aquele tapete lanzarótico agarrado às pernas depois do monteiro – o anão de barrete grená - lhe ganhar o 3º lance de cabeça em 2 segundos de jogo.

Já para não falar de estar a perder por quinze a zero e de ter duas negas e tapado por faltas a inglês a meio do primeiro período.

Eventualmente as brasas em que se tornaram cada par de paralelos milenares que servem de manto a um subsolo que brota seres donos de capacidades que sublinham o facto de tudo ser coincidência e nada estar relacionado a não ser por elos que servem de amortecedores a camadas de pele que pertencem a individualidades que de facto não o são.

O zéquita sempre foi um dj do caralho e o chibanga põe uma cidade à beira de um cataclismo: cidade que o Ricardo Teixeira incendeia com uma mestria que até dói: uma respiração sensorial é o que é! – contraria a regra dos fogos cruzados: estes caminham sobrepostos numa casa a arder.

Este estio no auge permite tropeçar a cada momento em gente que não encontrava desde a primária ou dos primeiros beijos à foróeste na praia da apúlia, e mostrou-me um compositor fabuloso da terra que pariu os chungas dos delfins.

B Fachada confirma-se como um compositor genial: a música em Portugal atravessa um largo espectro de escuridão, na medida que esmaga e engole quem se atreve a abanar as coisas e este méne tem um poder criativo que assusta: não passa de uma opinião mas vale muito mais que isso.



Os Chameleons tocaram em Lisboa – pois foi, mais um que passou ao lado – mas tenho um concerto deles cravado nos nós dos dedos com os dentes.

Por absurdo ou não tudo estará ou não ( não, não está, não, não está: estás? – não! está(s) lá? estou: mas não touço!) interligado por arames que seguram um pais agarrado a um península que teima em não se “deslargar” do resto de uma europa em cacos, que é como fica quem assiste a um desfilar de canções tocadas daquela forma pelo menino bernardo da fachada: a que sustenta e talha com materiais nobres o altar da composição musical no nosso pais: sob o alvo manto da simplicidade.

O fileden aliado ao sherrif ou mais precisamente o contrário não deixam escutar algum som que por aqui foi rompendo: mas re(com)põe-se.

E os chameleons sempre tiveram um som poderoso não tiveram zéquita? – têm!



E os Little Nemo “cowboy”? – carago!

b fachada



à volta destas imagens estão muitas outras que fizeram um concerto memorável.

penso que por aqui não há testemunho de "etelvina": tudo bem: os segredos são para guardar embora os tesouros sejam para mostrar.

se o encontrarem digam: "talvez" valha a pena a busca

as mais de 15 pessoas que estiveram desta vez saberão do que estou a falar

quanto a b fachada poderemos estar a referir mais uma talento à solta num país preso ou pelo menos refém, a mais do que um défice, o da falta de lanço ao talento, que inequivocamente este rapaz tem a rodos.

04 julho 2010

intuitos: diversos

espero que os - School of Seven Bells - possam ver e ouvir em guimarães no manta 2010



inicia-se também espera - porque os argumentos para o adiamento da possibilidade de escuta começam a extinguir-se - para que o João deixe uma recolha de canções por aqui.

quanto a b fachada, há que aguardar.

sobre os midnight juggernauts foi incompreensivel, mas lá chegaremos.