30 setembro 2010

(season 4) counting the days

até apetece dizer: foda-se!!!

informação em rede

muito bom



( ao que fui também informado dão um concerto em terras de sua majestade )

e depois todas estas coisas se ligam:



de onde surgiu?

deste hell of a place (to be)

rtp 2 bairro alto manel cruz

não terá sido o programa que vi em que o entrevistador esteve melhor: costuma interromper menos: soltar perguntas de forma mais ágil e solta.

manel cruz atrofiando-se - e à genuinidade - pela presença das máquinas que filmam.

o que não quer dizer que não a tenha mostrado: porque lhe será inerente.

aleijadinho de talento num formato de programa do melhor que se pode ver por estes dias.

e um carago fica sempre bem numa conversa.

a continuar.

"vou abrindo ao medo as minhas mãos"

ruby throat . barebaiting



I don't care; well intended, it was meant when he sent it,
Long forgot in the blink of an eye,
I got your locks, so I mended, and your burnt lust will defend it,
Silk thread, to climb you up into the sky,
You know that it's true, but of course it's up to you,
Still...he doesn't love you,
Still...he doesn't love you,
And as he held through the night, he took out your second sight,
He left it all for the magpie and the fox,
But bury it safe in your special place,
A crease, a crevass, you forgot,
But he still smells so nice, so against all advice,
I creep into the hole that he sleeps,
But I must have dropped the key so I just sing until I bleed,
Still...he doesn't love me,
Still...he doesn't love me,
I took a turn in his tailspin to churn the urn that he's ailed in,
I break the last thread of the screw,
My compass cracked in his grip, and as he spits out all my pips,
Still...he doesn't love you,
Still...he doesn't love you,
He cut it out; stitch-by-stitch, my felopean grip,
I hang the dead meat on his tree,
And as I screech through the night, he said; 'My wife fell on that knife',
He coughed, and he coughed, until he bleed,
So when you gonna learn? When will you tend to these burns?
When will you wake from this hell?
You can put it in a song, but that won't change what's wrong,
No, it won't give you the key to the cell,
You know that it's true, but of course it's up to you,
Still...he doesn't love you,
Still...he doesn't love you,
Still he doesn't love you...

29 setembro 2010

carlos oliveira

"Penso que sonho.
Se é dia, a luz não chega para alumiar o caminho pedregoso; se é noite, as estrelas derramam uma claridade desabitual.
Caminhamos e parece tudo morto: o tempo, ou se cansou já desta caminhada e adormeceu, ou morreu também.
Esqueci a fisionomia da paisagem e apenas vejo um trémulo ondular de deserto, a silhueta carnuda e torcida dos cactos, as pedras ásperas da estrada.
Chove?
Qualquer coisa como isso.
E caminhando sempre, há em redor de nós a terra cheia de silêncio.
Será da própria condição das coisas serem silenciosas agora?"

26 setembro 2010

Swans . My Father Will Guide Me Up a Rope to the Sky . 2010

por aqui já esteve Jim, agora My Birth



swans . uma obra sem interrupção "ou o poema contínuo"

não se esqueçam que é um álbum do outro mundo

por isso - again - Jim



"foi-me dada um dia apenas, nos centros da idade,
a linha medida quando
o mármore se encurva, uma linha
de seda tirada ao remoinho
do casulo. Foi-me dada na origem
mesma, no caos
das linhas. E nunca mais, só os dedos que tanta
aspereza tocaram, de tanta matéria
esfriaram ou aqueceram:
víscera, madeiras profundas se alguém batesse com os nós dos dedos e
ressoasse, massas
na escuridão, massas
de prata arrancadas às matrizes,
quando a minha idade estava certa - nunca
mais saberei a distância de uma palavra à outra.
Linha do tórax, macia como
o fio do meio do coração
do casulo, seda
em bruto,
no princípio.
Assoprado louvor, de tudo.
Apertar na mão sal grosso.
Sentir a queimadura das tripas no alguidar até aos cotovelos.
Desde as unhas até Às faúlhas entre os cabelos. Se a prancha
vergasse e a curva, medida vagarosamente,
de seda, o arco de baixo mármore luminoso,
fosse o que unia um pólo
a outro pólo, pontos
de força terrestre
terrível. O espaço entre dois nomes:
eu e o mundo, mundo e poema, poema e nascimento.
Ou a morte, substantivo que raia.
A linha verbal luzindo sob os dedos,
poderosamente no molde do mármore cosendo os órgãos
da frase de carne.
Foi-me dado uma vez, o dom, e já não sei.
Sítio ecoado noutro sítio do papel, não sei.
Rouco se o bafo de Deus lhe batia,
assim escrito: o choro.
Morte, aqui, num poema, atrás, adiante,
morte com música,"

herberto helder

( songs of devotion ) The Magnetic Fields . All my Little Words

sétima legião . glória

lower dens . blue and silver

"a árvore do diabo"

play fuckin' fuckin' loud



23 setembro 2010

Twin Sister - Nectarine

Nick Cave - The Mercy Seat . Portugal, 25 Fev 2004



I began to warm and chill
To objects and their fields,
A ragged cup, a twisted mop
The face of Jesus in my soup
Those sinister dinner meals
The meal trolley's wicked wheels
A hooked bone rising from my food
All things either good or ungood.

And the mercy seat is waiting
And I think my head is burning
And in a way I'm yearning
To be done with all this measuring of truth.
An eye for an eye
A tooth for a tooth
And anyway I told the truth
And I'm not afraid to die.

Interpret signs and catalogue
A blackened tooth, a scarlet fog.
The walls are bad. Black. Bottom kind.
They are sick breath at my hind
They are sick breath at my hind
They are sick breath at my hind
They are sick breath gathering at my hind

I hear stories from the chamber
How Christ was born into a manger
And like some ragged stranger
Died upon the cross
And might I say it seems so fitting in its way
He was a carpenter by trade
Or at least that's what I'm told

My good hand tatooed E.V.I.L. across it's brother's fist
That filthy five! They did nothing to challenge or resist.

In Heaven His throne is made of gold
The ark of his Testament is stowed
A throne from which I'm told
All history does unfold.
Down here it's made of wood and wire
And my body is on fire
And God is never far away.

Into the mercy seat I climb
My head is shaved, my head is wired
And like a moth that tries
To enter the bright eye
I go shuffling out of life
Just to hide in death awhile
And anyway I never lied.

My kill-hand is called E.V.I.L.
Wears a wedding band that's G.O.O.D.
`Tis a long-suffering shackle
Collaring all that rebel blood.

And the mercy seat is waiting
And I think my head is burning
And in a way I'm yearning
To be done with all this weighing up of truth.
An eye for an eye
And a tooth for a tooth
And anyway I told the truth
And I'm not afraid to die.

And the mercy seat is waiting
And I think my head is smoking
And in a way I'm hoping
To be done with all this looks of disbelief.
An eye for an eye
And a tooth for a tooth
And anyway I told the truth
And I'm not afraid to die.

And the mercy seat is waiting
And I think my head is boiling
And in a way I'm spoiling
All the fun with all this looks of disbelief.
An eye for an eye
And a truth for a truth
And anyway I told the truth
But I'm afraid I told a lie.

20 setembro 2010

até as sociedades mais primitivas admitem os seus loucos 20100920

para já sem descrição

há aqui canções que são consideradas contrabando

e o nome por vezes não tem importância

encomendem o conteúdo se acharem necessário

tudo para escutar - com cuidado: com auscultadores e devidamente acompanhados de preferência :)



18 setembro 2010

(Songs of Devotion) Steve Adey . Find The Way



Let’s go for a ride
We can drive through the night
And we will find
The neon lights
Will shine for us there

Let’s move away
To the west side
And we’ll find out
You will see
That it’s alright
We’re alright

Are you finding it hard
Working every hour God sends
Will you give me your word
And I will walk you there

The lines are down
The road is closed
And there is no way
Around the sea

Will you come with me?
We’ll go into town
The Christmas lights
Are taken down
But the light of the world
Will still shine for us there

Are you finding it hard
Working every hour God sends
Will you give me your word
And I will walk you there

17 setembro 2010

Antony And The Johnsons - Swanlights - 2010



Lembro-me de deslocações repetidas a lojas de discos, bastas vezes condenadas ao insucesso, para aquisição de um álbum que sabia editado e, que no entanto não era desalfandegado ou sofria um outro qualquer contratempo burocrático.

A sua escuta era adiada e a confirmação das expectativas ou a mais desgraçada hipótese de espalhanço ao comprido dos seus autores - de facto não muito distante de ter entre mãos um trabalho por quem assinava de cruz e que pertencia ao imenso e cruel mundo dos objectos indiferentes.

No advento dos dias cibernéticos, o acesso imediato a discos que o ainda vão ser, aditivado pelo factor de ausência de impressões sobre o seu conhecimento, cria uma ambiência caracterizada por uma excitante mistura de clandestinidade e desbravamento de terreno desconhecido, complementada pelo desejo da busca permitir descobertas marcantes para um tempo, que por mais precisão que empreguemos na sua divisão oferecerá um resto com o qual nunca ficaremos convencidos.
- E ainda bem.

Para a audição daquele que por vezes consideramos um bom álbum, muito contribuem, as sensações que nos comandam, a dimensão onde nos encontramos, as mudanças de estado a que pertence o nosso corpo, sempre sem capacidade de avaliação por antecipação, daquilo a que poderá estar sujeito.

Perante uma obra-prima, tudo isto é inexigível e no caso presente, Antony, depois de escrever uma discografia de um nível elevado, é o que nos mostra.

Confesso alguma resistência, numa temporalidade com delimitação de espaço cada vez mais frágil, eventualmente provocados por uma voz, que não podendo ser considerada barbaramente “ingenuína”, acabava por ser pelo menos excessiva: nos seus contornos, no tom numa necessidade de afirmação que pisava os terrenos do dispensável: tudo isto quando contactei a primeira vez como o seu trabalho.

Com “Swanligts”, Antony and The Johnsons, apresentam um trabalho memorável com componentes indizíveis, acompanhando alguns – muitos outros – discos que alocamos no local onde mais do que guardar segredos, são expostos tesouros: uma galeria que não existe, que está cartografada, que as mãos não encontram, mas a que acedem quem queremos e gostamos , sem a exigência de indicações nem a violência das questões estéreis: emocionalidade que flui: simplesmente.

Com o piano a gerar, fazer nascer e crescer e mais do que isso, a eternizar canções, envoltas por orquestrações fenomenais, contributos estratosféricos, a voz de Antony numa tonalidade repleta de brilhantismo, letras do domínio do arraso, metais e cordas que se movem entre a agitação e a desintegração: sob o manto da “indimensionalidade”.

Nunca percebi porque invento palavras quando me deparo com música assim: a hipótese de estar perante a invenção de um ou mais sentidos através da sua escuta, ganha corpo na exacta medida em que não sei para onde foge o meu.

A passagem pelos temas do álbum pode ser feita pelo modo que preferirem no uso de todos os direitos à forma de conhecimento de uma obra que muito bem entendam: no entanto prefiro o percurso sequencial entre a primeira e a última faixa: a sucessão matemática, aqui assume uma transmissão sonora sem muitos precedentes e uma hereditariedade do que é genial absolutamente invulgar.

“Everything is New” é o tema de abertura, dispara a segunda canção e é dita na faixa de encerramento por uma voz enviada de onde nem queremos saber.
Mas a “promessa” não era esta: “Everything is New” na abertura tem a voz a segurar as pontas de cordas a recusar o caos e o domínio das teclas que deixam ouvir toda a respiração que vai pontuar cada palavra. É o primeiro contacto com um mundo sublime que só escutado deixa transparecer o seu desenho.

Uma composição fabulosa onde a percussão é absolutamente surpreendente como lança a guitarra eléctrica em sussurro e onde a voz se torna néctar a elevar-se com metais e a permitir espaço a violinos em voo descendente até ao patamar onde reina o silêncio e lançado o segundo tema.

E tudo isto se vai separando como matéria e reagrupando como uma substância de que não se sabe o nome, ao longo de todo o disco: voz de área “idelimitada”.
A canção inicial do disco deixa-nos sem chão: é bom não é? Ele há-de reaparecer: se quiser: se o quisermos.

Perante a escuta de canções que tentam demarcar como tristes podemos responder de várias formas:
- pois é: e depois?
- não é triste é bonita.
- a tristeza não é relativa nem tão pouco um sentimento determinante sob a forma de uma canção: talvez uma corrente de ar mitológica que não se deixa aprisionar por passos de vidro.

“The great white ocean” inicia o seu desenvolvimento sob a égide da canção que o precede e estilhaça o que sobrou intacto ou nem sequer nada que a isso se assemelhe: guitarra acústica soberba, voz completamente sem classificação, texturas sonoras de suporte não aos instrumentos referidos mas ao que de nós sobra até ao final do tema: tudo se despenha e desliga mantendo a “umbilicalidade” do que é ser-se através dos sons: a voz alheia-se agarrando-se ao próprio ventre: há lamentos decalcados em sangue: toca-se uma alquimia perdida: o ancestral surge após a colheita actual : há som que “desnasce” e lágrimas que não conjugam o verbo recusar e só conhecem o existir.

É quase impossível não ficar uns minutos sem conseguir avançar para a canção seguinte: “Ghost” “apenas” piano e espaço preenchido por uma orquestração submissa às teclas e a glorificar uma voz que carrega uma canção inteira até ao choque frontal com a beleza que não ousa abandonar após o encontro com os fantasmas de um piano que ameaça vertigem sem a permitir soltar-se: uma composição tremenda e que começa a colocar a questão “como é isto possível” no reino da recorrência perante a estupefacção que tem tanto de saborosa como assustadora.

Em “I’m in love” há voz e percussão em delírio sobre efeitos sonoros estonteantes, sopros inclementes, crescendo travado e atirado aos setes ventos para que o estagnem sem misericórdia: a suspensão de partículas que sustentam o terreno por onde se move o tema, cede: um precipício não tem apenas o fundo como limite: as suas escarpas podem ser vertentes de um mar perdido e onde se mergulha sem medo.

“Violetta” não passará de um exercício de afinação para o que nos poderá acontecer se persistirmos no conhecimento de “Swanlights”: ainda não referi que é um titulo estrondoso pois não?: - também não me apetece voltar ao inicio do texto.

Sim: o título tema do disco é História da liquidificação das almas: voz em ciclos alegando mistérios: encorpando-se e deformando-se sobre efeitos sonoros de sustentabilidade inimaginável até ao clarear de um piano na aurora da orquestra de cordas que atira a voz para terrenos insondáveis onde os ecos são uma forma cristalina de respirar na simbiose da electrónica e da acústica.

A solidão do piano não existe em “ The spirit was gone “: o pó que se escuta premido nas teclas, permitido pela perceptibilidade que é apenas igualada pela voz, num alcance do brilhantismo quase a raiar o insultuoso: violinos e sopros no movimento que só a frugalidade do verdadeiro talento sabe transmitir – como se outro pudesse existir.

“Thank you for your love “ é magnifico: bateria seca a realçar a dolência da guitarra, até lançar os sopros, que de forma intermitente acalentam a voz que serpenteia por toda a canção: quando os metais implodem quando se pensa irem deflagrar: até amaciar o caminho da composição quando se imaginaria que teria de atravessar a rudeza dos dias e acaba por encontrar o veludo de uma noite de chamas.

Sobre “Flétta” a tentação é não possuir palavras: poderá ser considerada por muitos a canção do disco: os pedais do piano escutam-se na exacta medida das teclas em sublimação: inerente à voz de Bjork: inacreditável!- como soa: só ou sublinhada pela de Antony: contenção a atingir a perfeição: os Sigur Rós inventaram um dialecto onde não queríamos saber o código para o decifrar: a dança do piano: vozes a deslizar ou em queda livre, cascata de ondas sobre terrenos vulcânicos onde os seres se regeneram e brotam cânticos como estes, o que esta gente nos atira: numa dádiva onde não se exigem sacrifícios e onde nos encontramos ou julgamos poder fazê-lo.

“ Salt silver oxygen“ não passa de uma composição incrível – tanto: orquestração fantástica, arvoredo de texturas clássicas abraçando uma contemporaneidade como só as grandes canções o sabem ser: a voz é intensa e dominadora sobre a execução instrumental de alto quilate, que manufactura os sentidos, levando-os à existência sobre a forma de filigrana que se agita quando o tema assim se despedaça também.
Não “havendo” ainda disco, não há muita informação técnica sobre o mesmo: prefiro o valor que as canções têm para mostrar - até se não pude trocar impressões sobre elas – e estas tem muito: em quantidades imensuráveis: um disco inverosímil.

Sempre me fascinaram as últimas canções dos discos: há uma infinidade de exemplos em que se tornam as melhores dessa colecção de músicas e, “Christina’s Farm” não lhe foge à regra: a mais longa das peças será também “A” canção do álbum: pungente, interpretada de forma majestosa, composta magistralmente: o piano está em erupção, a voz espalha-se até atingir um ponto de contacto com a ressurreição de demónios em estepes onde se segredam tumultos: apologia da beleza como só o som o faz, até um final de tema esplendoroso.

O que fazer para que não se escute apenas este disco uma semana inteira? – por mim, no fim-de-semana vou para o Rock: se lá chegar!

10 setembro 2010

que grande canção me fizeram chegar: tky P

Boduf Songs : The Giant Umbilical Cord That Connects Your Brain To The Centre


atentem



a comprovação: o azeite sempre foi um néctar: a azeitona pode ser um fruto de criatividade e alavancar e reforçar a genialidade - um toque pelo menos escuta-se nesta reinvenção - ou mais uma das maravilhas de tão precioso condimento.

este não sendo mau, não chega ao que me orientam por contrabando lá de trás-os-montes.

agora o "cantar como se tivesse 19" é que é capaz de ser misterioso: para não dizer azeiteiro.

e a tatuagem do galo de barcelos no ombro direito enquadra-se na teorização do Hank Moody e do Charlie Runkle?

06 setembro 2010

A Ilha dos Espelhos de Sangue

( é no que pode dar a contemplação de realidades míticas e objectivas :D )

A Ilha dos Espelhos de Sangue



Em tempos houve um país que deixou de o ser.

Tornou-se oco: esvaziou-se conscientemente: abraçou a infertilidade - sem peso na consciência.

Abandonou-se.

Omitiu-se.

Permitiu-se ao desmando de néscios eleitos sobre a tortura dos mais básicos indicadores de representatividade.

A esterilização de ideais foi cumprida sem hesitação e a promoção da futilidade efectuada sem qualquer ponta de pudor.

Quem se formou – mesmo em condições deficientes – foi escorraçado através de cânticos da desmotivação, que tornaram a resiliência em vão e os portadores de memórias exterminados: à diáspora dos seus talentos e à desistência dos que restaram, foi mostrado o sorriso sinistro de quem prefere um rebanho teleguiado e um mar adormecido a uma nação que se move e se reinventa e, sabe como é imperioso que fervilhe a busca incessante de novas respostas para pistas lançadas por quem tem a sabedoria de o fazer de forma exímia.

A lobotomia emocional era prática comum e engoliu mais tarde os seus realizadores.

As imagens destruídas levaram também consigo os sons do alento e da beleza e aceleraram a decapitação das palavras a que a força tinha sido roubada: o movimento das mãos e a dança dos corpos eram representações fugidias na mente, de quem ousava activá-las em cantos escuros onde se mordiam lábios, cuspia sangue e não se controlavam lágrimas.

No auge da ineptidão para percepcionar o que era tão claro, a propagação de ruínas não passava do resultado de insatisfeitos obreiros da "maledicência" e a degeneração de paisagens únicas, lamentáveis fatalidades geradas pelo simples ( e mais tarde óbvio ) facto de as divindades – “sim: até essas!” – desgraçadamente os terem abandonado: mas até aí, “ foram ainda mais gloriosos, ultrapassando as adversidades”.

Como ciência apenas sobreviveu a estatística manobrada que se aliou à retroversão mental e à teorização da hipocrisia.

A podridão era maquilhada a qualquer preço: os consultores de imagem pulularam até à exaustão e reconversão laboral que tanto ajudaram a defender.

As oposições aglutinaram-se e, mais tarde acopladas ao poder - porque no fundo nada de substancialmente diferente entre eles existia e os pontos de contacto se revelavam de forma crua: intermináveis.

As restantes peças do puzzle Continental exigiram uma operação de desagregação geográfica – rios alargados sem misericórdia, serras elevadas ao limite da intransponibilidade: árdua a tarefa da geração de deltas dignos de mitologia, com a urgência que se exigia e solos rochosos multiplicados sem dó e divididos sem piedade.
A intenção: perante testemunhos comovedores de quem antes as tinha alcançado - evitar o contágio de tão funesta mentalidade que passou a ex-libris de uma governação que extinguiu o brilho para elevar o prémio à incompetência.

De nada valeu o arrependimento pela passividade perante o que era talvez demasiado claro e, revolta foi uma palavra e um sentimento dados como nunca existentes.
A partir daí, tudo o que pudesse ser transformado em vidro e folhas de alumínio era consumido e os restantes recursos abandonados à sua sorte e decretados como substâncias nocivas ao desempenho brilhante de quem “ se dispôs a fazer sacrifícios pelo país” e fomentou o reforço do tecido industrial que se viria a desintegrar fatalmente: monocultura de vontades.

Hoje ostentam orgulho perante milhões de espelhos, que são tratados meticulosamente por outros tantos milhões de seres, de modo a assegurar a sua resplandecência: gente com a alma hipotecada e respiração artificialmente assistida, para perpetuar a influência do seu comportamento, pensamento e direito a sonhar, independentemente do custo das perdas para a sagração da mediocridade.

O que de facto importava é que o objectivo da implementação de uma sociedade de serviços tinha sido atingido na íntegra e a promessa do pleno emprego efectivamente cumprida.

santiago me mata: xacobeo 010







arcade fire también

e estes:





"galicia canibal"

04 setembro 2010

talento

muito.

mark lanegan (!) . "Ugly Sunday"

( songs of devotion ) Tom Waits - Bottom of the World



My daddy told me, lookin back,
The best friend you'll have is a railroad track
So when I was 13 said, I'm rollin' my own
And I'm leavin' Missouri and I'm never comin' home

And I'm lost
And I'm lost
I'm lost at the bottom of the world
I'm handcuffed to the bishop and the barbershop liar
I'm lost at the bottom of the world.

Satchel Puddin' and Lord God Mose
Sitting by the fire with a busted nose
That fresh egg yeller is too damn rare
But the white part is perfect for slickin' down your hair

And I'm lost
And I'm lost
I'm lost at the bottom of the world
I'm handcuffed to the bishop and the barbershop liar
I'm lost at the bottom of the world.

Blackjack Ruby and Nimrod Cain
The moon's the color of a coffee stain
jesse Frank and Birdy Joe Hoaks
But who is the king of all these folks?

And I'm lost
And I'm lost
I'm lost at the bottom of the world
I'm handcuffed to the bishop and the barbershop liar
I'm lost at the bottom of the world.

Well I dined last night with Scarface Ron
On Telapia fish cakes and fried black swan
Razorweed onion and peacock squirrel
And I dreamed all night about a beautiful girl

And I'm lost
And I'm lost
I'm lost at the bottom of the world
I'm handcuffed to the bishop and the barbershop liar
I'm lost at the bottom of the world.

Well God's green hair is where I slept last
He balanced a diamond on a blade of grass
Now I woke me up with a cardinal bird
And when I wanna talk
He hangs on every word

And I'm lost
And I'm lost
I'm lost at the bottom of the world
I'm handcuffed to the bishop and the barbershop liar
I'm lost at the bottom of the world

get well soon ( via blogotheque )

Get Well Soon - Those lost at sea sing a song at Christmas Day | A Take Away Show from La Blogotheque on Vimeo.



Get Well Soon - If this hat is missing I've gone hunting | A Take Away Show from La Blogotheque on Vimeo.

Sharon Van Etten . One Day

compostela







"explosions in the sky"

03 setembro 2010

torrente




cores ilegítimas ou omissão de argumentos no percurso absorvido na estrada vermelha que rasga as cumeeiras que dão o acalento às crateras.

num porto submisso: o abandono dos passos ao desvario do mergulho.

preciso que corras porque não consigo a maré das escarpas, a sacudir chuvas que inserem memórias dos dias de seda e noites de chamas.

deixo de ser para passar a estar: nunca vi um brilho como esse que alcancei.

espasmos? alvoroço? desconexão de indutores de emocionalidade?

respiração mecânica: animal artificial;

apenas,

perante a deserção das mãos - que exerceste de um trago.

best coast - (pent) ((golden)) play [ with "loads of" fire ]











Sun Was High (So Was I); When I'm With You; In My Room; Up All Night; Feeling of Love